
OS JARDINS
O número de pessoas que frequenta as instalações e os fantásticos jardins desta Fundação cresce todos os dias. No Verão chega a ser desagradável tanta gente. Mas é assim mesmo. Gonçalo Ribeiro Telles criou ali os jardins do paraíso e passear através daquela combinação vegetal é estabelecer um diálogo com a harmonia e limpar a alma do cimento e do pó da cidade.
Imagino que os tais jardins do Paraíso cristão e os do paraíso
muçulmano, com ou sem dezenas de virgens, sejam assim acolhedores,
fragantes e luminosos.
Depois há ainda os concertos ao entardecer quando a noite cobre a beleza radiante dos jardins, e o interior se ilumina e enche de melodia. E ainda as exposições.
A sua colocação num ponto tão central da cidade, com excelentes acessos e com uma garagem às suas ordens, tornam esta Fundação um exemplo dos espaços que precisamos para sobreviver à rotina e à dureza da cidade.
OS RESTAURANTES
Depois da minha declaração de incondicional amor por este espaço citadino, venho manifestar o meu pesar com os locais de restauração públicos da dita Fundação. Todos? Não.
O restaurante
self-service do CAM continua o mesmo ao longo dos anos. Até as
infindáveis filas de espera ao fim de semana são as mesmas. O pessoal é o
mesmo. Gente muito simpática A comida é a mesma e o serviço também.
Chamava-lhe a carinhosamente a "sopa dos pobres", mas não
imaginam o quanto eu gosto da relação qualidade/preço do local. Como é
agradável comer sentada, num espaço com muita madeira e muita luz, a
olhar as árvores do jardim. O meu voto positivo para a resiliência (uma
palavra muito na moda) deste restaurante. Um caso (quase) único.
Depois há ainda os concertos ao entardecer quando a noite cobre a beleza radiante dos jardins, e o interior se ilumina e enche de melodia. E ainda as exposições.
A sua colocação num ponto tão central da cidade, com excelentes acessos e com uma garagem às suas ordens, tornam esta Fundação um exemplo dos espaços que precisamos para sobreviver à rotina e à dureza da cidade.
OS RESTAURANTES
Depois da minha declaração de incondicional amor por este espaço citadino, venho manifestar o meu pesar com os locais de restauração públicos da dita Fundação. Todos? Não.
O restaurante
self-service do CAM continua o mesmo ao longo dos anos. Até as
infindáveis filas de espera ao fim de semana são as mesmas. O pessoal é o
mesmo. Gente muito simpática A comida é a mesma e o serviço também.
Chamava-lhe a carinhosamente a "sopa dos pobres", mas não
imaginam o quanto eu gosto da relação qualidade/preço do local. Como é
agradável comer sentada, num espaço com muita madeira e muita luz, a
olhar as árvores do jardim. O meu voto positivo para a resiliência (uma
palavra muito na moda) deste restaurante. Um caso (quase) único.
Agora aquele restaurante da Fundação propriamente dita, que tem vindo a
mudar de gestão, de tempos a tempos, não se recomenda nem ao pior
inimigo. Quem foi que escolheu aquela decoração de mau gosto, cheia de
alumínios? Quem foi que escolheu aqueles gestores que ganham dinheiro a
servir inenarráveis comes e bebes? Quem foi que inventou aquele processo
de servir com bandeirinha? Quem foi que entregou aquele espaço a um
bando de levianos sugadores do dinheiro alheio, que sabem que haverá
sempre alguém que cai naquela esparrela? O meu voto negativo para esta
espelunca. Sugiro que coloquem um escaparate com pastilhas Gorila,
chupa-chupas e seus afins.
O terceiro espaço foi criado há poucos anos no meio do jardim. No início as atenções com a clientela eram imensas. Gostou? Não gostou? Temos isto. Temos aquilo. Quer provar? Os fregueses eram poucos, porque o restaurante da Gulbenkian, o tal atualmente "aluminizado", estava ativo. Mas agora chovem clientes no meio do jardim. E lá se foi toda a atenção. E lá se foi um bom serviço à mesa. Os preços não são propriamente baratos, atendendo ao que é servido.
Há dois anos, há um ano, havia mais requinte. Agora, toca a despachar. Até percebo, quando a clientela é tanta que me lembra a diligência do Ramalho Ortigão. Mas não é sempre assim. E também se procuram soluções para esta abundância.
AS EXPOSIÇÕES
É claro que não posso deixar de falar de duas exposições atualmente patentes na Fundação: "Ana Hatherly e o Barroco" (no rés-do-chão, frente ao restaurante "aluminizado") e "Do Outro Lado do Espelho" (salão principal do 1º andar).
Vou tentar explicar o que penso sobre estas exposições. Ambas estabelecem diálogo com o público. E isto é o maior elogio que se pode fazer a uma exposição. Porque as pessoas precisam de cultura como as fechaduras enferrujadas de óleo. E servir-lhes a dita cultura de uma forma muito hermética, muito erudita e com o seu quê de sagrado, afasta as pessoas. Divulgar uma obra tão delicada e interessante como a de Ana Hatherly é necessário, como é essencial que tal seja feito da forma inteligente e apelativa como esta exposição o faz.
O terceiro espaço foi criado há poucos anos no meio do jardim. No início as atenções com a clientela eram imensas. Gostou? Não gostou? Temos isto. Temos aquilo. Quer provar? Os fregueses eram poucos, porque o restaurante da Gulbenkian, o tal atualmente "aluminizado", estava ativo. Mas agora chovem clientes no meio do jardim. E lá se foi toda a atenção. E lá se foi um bom serviço à mesa. Os preços não são propriamente baratos, atendendo ao que é servido.
Há dois anos, há um ano, havia mais requinte. Agora, toca a despachar. Até percebo, quando a clientela é tanta que me lembra a diligência do Ramalho Ortigão. Mas não é sempre assim. E também se procuram soluções para esta abundância.
AS EXPOSIÇÕES
É claro que não posso deixar de falar de duas exposições atualmente patentes na Fundação: "Ana Hatherly e o Barroco" (no rés-do-chão, frente ao restaurante "aluminizado") e "Do Outro Lado do Espelho" (salão principal do 1º andar).
Vou tentar explicar o que penso sobre estas exposições. Ambas estabelecem diálogo com o público. E isto é o maior elogio que se pode fazer a uma exposição. Porque as pessoas precisam de cultura como as fechaduras enferrujadas de óleo. E servir-lhes a dita cultura de uma forma muito hermética, muito erudita e com o seu quê de sagrado, afasta as pessoas. Divulgar uma obra tão delicada e interessante como a de Ana Hatherly é necessário, como é essencial que tal seja feito da forma inteligente e apelativa como esta exposição o faz.
O mesmo se pode dizer da obra do andar superior. Atraente, apresentada de uma forma que suscita o diálogo e nos faz pensar no
conceito que preside à reunião daquelas belíssimas obras, que nos faz
pensar em nós e na nossa identidade.
E enquanto passaeava por aquelas salas só pensava: "É obrigatório trazer os meus netos a verem estas exposições. A Matilde vai adorar a delicadeza e a minúcia dos trabalhos da Ana Hatherly. Vai ter uma epifania."
Vão ver.
E enquanto passaeava por aquelas salas só pensava: "É obrigatório trazer os meus netos a verem estas exposições. A Matilde vai adorar a delicadeza e a minúcia dos trabalhos da Ana Hatherly. Vai ter uma epifania."
Vão ver.



