quinta-feira, 22 de novembro de 2018

O DÂMASO



Eu não conheço o Bruno de Carvalho e serei talvez a mais ignorante dos Portugueses nesta matéria, mas jamais associaria o Dâmaso Salcede a este homem.

Parece-me que este BC (perdoem-me se erro) tem caraterísticas muito próprias de uma época em que o futebol domina o coração da pátria. E isso não pôde o nosso Eça de Queirós presenciar.

Quanto ao Dâmaso, trata-se de um tipo que jamais saiu da galeria dos tipos nacionais. Provinciano e tacanho, novo-rico com pretensões a fidalguia e até a intelectual.

Abundam os Dâmasos por esse Portugal, dignos, hipócritas, convencidos, pedantes e arrogantes. São tantos que realmente não é preciso compará-lo com o tal BC. Se há uma caraterística verdadeiramente nacional é o provincianismo.

Contudo os Dâmasos Salcedes jamais se reconhecem na referida personagem.

quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A GLOBALIZAÇÃO E AS DUAS METADES DO MUNDO


A globalização encurtou as distâncias, esbateu costumes e tradições milenares, tornou-nos a todos um pouco semelhantes, etc., etc. Antes de pôr o ponto final que o etc. me exigia, hesitei. É que eu queria pôr um ponto de interrogação. Porquê? Os atentados de Paris fizeram estremecer o coração do mundo? Sim. Pelo menos de uma das metades do mundo: o mundo ocidental, o civilizado. Mas no mesmo dia, em Beirute, aconteceram atentados bombistas. Tomei conhecimento deles através da imprensa da outra metade do mundo: o mundo oriental (civilizado só em certos sítios).
"Two suicide bombings in a predominantly Shia residential area of southern Beirut have killed at least 41 people and injured 200 others, according to the Lebanese health ministry.
The explosions took place on Thursday in the Burj el-Barajneh area, located off a main highway leading to Beirut's airport."
Li depois outros artigos publicados em jornais do outro lado do mundo que se queixavam de que os mortos em ataques bombistas no Médio Oriente eram catalogados como itens de uma lista estatística, enquanto os mortos de Paris eram chorados, pela imprensa mundial. Como se uns tivessem alma e os outros fossem números.
Depois pensei que realmente a globalização apagou muita coisa boa, e talvez algumas más, mas não apagou as diferenças entre as duas metades do mundo (se imaginarmos um corte no sentido vertical) como nunca apagou as diferenças entre as outras duas metades a meridional e a setentrional (se imaginarmos um corte no sentido horizontal). Ou se quisermos resumir isto de uma forma muito simples: entre os países endinheirados e os modestos ou famintos. Quantas velas teríamos de colocar no chão pelas mortes, violações e torturas dos povos desse continente sacrificado que é a África? A raiva que cresce neste mundo globalizado vai um dia levar-nos a descobrir, de uma forma desagradável, que afinal todos somos um só. Todos somos a Terra.
Quer isto dizer que eu acho que os mortos de Paris não deviam ser chorados? De modo algum. Eles e todos aqueles a quem o terror sem rosto mutila ou mata deviam ser mais do que lamentados. Deviam ser motivo para gritarmos de indignação e lutarmos para que estes acontecimentos tenebrosos não tivessem lugar nunca mais no planeta azul que é a Terra.
Allô, extraterrestres, pede-se auxílio.