segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

ESTOU ESPANTADA! (texto escrito no tempo do Nuno Crato)

ESTOU ESPANTADA!
"Os alunos do 2.º ano de escolaridade têm dificuldades em interpretar um texto, escrever de forma coerente e sem erros ortográficos, não compreendem o conceito de igualdade na matemática e têm dificuldades em contar dinheiro, revela um relatório."
Como é possível semelhante prova de ignorância? Quando eu tinha 6/7 anos lia Camões, Shakespeare, Platão, Aristóteles, comentava os textos sagrados e, em termos matemáticos, os trabalhos de Dubinsky, Sfard, Tall e Vinner que permitem uma caracterização mais profunda das noções de conceito definição e conceito imagem, que se tornam conceitos chave para a compreensão dos conceitos matemáticos.
Agora grassa a ignorância, e o senhor ministro da educação que tem tentado fazer dos alunos vagões de mercadorias não consegue que as crianças de seis ou sete anos escrevam sem erros, interpretem os textos com a limpidez luminosa de um Santo Agostinho e, miséria das misérias, não dominem o conceito matemático de igualdade num mundo em que a desigualdade é cada vez maior.
Sugestão: aumentar ainda mais os conteúdos curriculares, torná-los mais complexos, instituir de novo a palmatória e os castigos corporais, porque os resultados serão garantidos e teremos uma geração de génios em ascensão. Além disso ser criança tem limites. E aos seis ou sete anos estamos perante pequenos adultos disfarçados de crianças, que já tiveram uma longa oportunidade de gozar a vida e acreditar em sonhos. Vamos a isso, pela rentabilidade, pela necessidade de criar escravos dos senhores que podem escrever com erros, não ter nunca aberto um livro, não compreenderem o conceito de igualdade, mas que sabem contar dinheiro!
PS. Já agora na televisão podem exibir-se erros ortográficos, escrever frases sem sentido, não respeitar a pontuação? E nas legendas dos filmes também?
Pois, aí não tem importância, porque os espectadores estão distraídos com as imagens e a verem se compreendem o tal conceito de igualdade.

domingo, 6 de janeiro de 2019

UM HOSPITAL CONTRANATURA


O hospital de São José, um dos pilares da saúde pública em Lisboa, está instalado numa encosta íngreme, num edifício antiquíssimo. Não tem cabimento.
Já alguém teve de ir diariamente àquela unidade hospitalar, durante meses como tanta gente faz? Seria interessante que todas as pessoas sentissem o caos e a dificuldade de acesso. E parabéns se aguentarem. Posso dar algumas dicas.
1. Deixar o carro num parque do Campo Mártires da Pátria (desce-se até ao hospital; sobe-se a pique até ao parque);
2. Deixar o carro no parque do Martim Moniz (sobe-se a pique até ao hospital; desce-se até ao parque).
3. Metropolitano do Martim Moniz (ver 2.).
4. Alugar ou comprar uma casa na zona.
Não contabilizo aqui os gastos de quem não mora ali perto. Quem acompanha um doente, gasta entre 10 a 15 euros diários de parque no Martim Moniz. No parque do Campo Mártires da Pátria pode gastar um pouco menos, mas sempre na ordem das dezenas.. Tudo isto se estiver com cuidado em não exceder cerca de 3 horas. Finalmente, depois de umas semanas terá de ser examinado por um cardiologista para ver se aguentou o esforço.
A maioria das pessoas vai à Urgência e outras a consultas. É um acontecimento pontual ou quase. Mas há quem tenha familiares acamados, durante meses. Conheço um caso em que o doente está acamado desde Agosto, com necessidade de apoio diário. E esses podem confirmar o que aqui digo. Um hospital contranatura.