sexta-feira, 3 de abril de 2020

LARRY CROWNE


Ontem vi um filme, salvo erro, no canal Hollywood que me chamou a atenção. Não, não se trata de uma obra de arte, nem sequer de um argumento muito criativo, nem sequer de uma fotografia muito especial. Não. Apenas um filme que se vê bem. Larry Crowne é o seu título. Os atores Tom Hanks e Julia Roberts. 

Pois eu atrever-me-ia a tornar obrigatória a visualização desta comédia a todos os responsáveis pelo ensino do Português. Ia fazer-lhes muito bem para perceberem o quão importante é ter espaço e tempo (parece que são a mesma coisa) para pôr os alunos a falarem para uma plateia sobre um assunto, seja ele qual for. E fazê-lo com regularidade e propriedade. Talvez daqui saltassem para a importância de pôr os alunos a escrever, para a importância de os preparar para isso, para a importância de lhes dar pistas e modelos. Escrevam, meninos, escrevam, nem que seja para copiarem um texto de um bom escritor... Estou por tudo. Até podem copiar um texto que não seja de um famoso, mas um texto que simplesmente vos agrade. 

Talvez daqui os tais responsáveis saltassem para a importância de pôr os alunos a lerem e a comentarem o que lêem. Para a importância de terem um clube de leitura a sério. Um clube animado que gerasse mais tarde outros clubes sociais, como acontece no Reino Unido, e seguramente em muitos outros países. Clubes que unem as pessoas e fazem a vida mais leve e colorida. Fazem bem ao espírito e ao corpo. Divulgam a cultura nacional e a universal. Fazem-nos pensar. E isso devia ser uma prioridade.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

JARDIM ZOOLÓGICO - A RELÍQUIA (escrito em 2019)

   As filas de turistas e a de pais e filhos que se acumulam à porta do jardim Zoológico ao fim de semana mostram o dinamismo daquele espaço e SÃO INVENTADAS POR MIM.
   Visitar o jardim custa 22 euros por pessoa a partir dos 3 anos de idade. Não há descontos em situação alguma, porque cuidar dos animais custa dinheiro e quanto menos pessoas o visitarem mais calmos estão os bichos e o pessoal que deles cuida e cuida do espaço (o imobilismo é o movimento que mais adeptos tem entre as lusas gentes),
   Quando uma família - pai e mãe e dois filhos - o visitam pagam 88 euros (OITENTA E OITO EUROS). Se forem três filhos (como é o caso da família da minha filha) são apenas 110 euros (CENTO E DEZ EUROS),
   Toda a família gostaria (o Condicional aqui entra muito bem) de poder visitar o jardim de vez em quando. Mas essa visita é um acontecimento que, tal como o cometa Halley, só ocorre de X em X anos.
   O jardim Zoológico foi feito para ser visitado por meninos da escola. A família é um conceito que não existe naquele espaço. Por isso, também não há um BILHETE FAMILIAR. Quando o Francisco quer visitar o jardim (porque de automóveis, e todo o tipo de transportes está em vias de apresentar o doutoramento) tem de se selecionar cuidadosamente quem vai com ele para não arruinar o orçamento familiar.. Isto porque o Francisco ainda está longe dos 3 anos. Quando isso acontecer, põe-se o Francisco à porta do jardim e vai sozinho.
   Este jardim é um verdadeiro modelo de imobilismo - o local onde se despejam os meninos das escolas quando chega a Primavera. O local do vazio absoluto fora desses momentos. Nas visitas das escolas esgota-se todo a missão social do jardim - UMA AUTÊNTICA RELÍQUIA DO PASSADO.
   Nunca a palavra RELÍQUIA foi mais apropriada. Eu creio mesmo que foi inventada a pensar neste local de cultura e de lazer e noutros que cheiram a mofo tal como ele.
   ORGULHOSAMENTE VAZIO!

A ÁRVORE DOS LILASES

A árvore dos lilases não é uma árvore trepadora e o formato das flores é totalmente diferente do das glicínias. Quando eu era pequena tínhamos uma árvore de lilases no quintal. Alguns cachos despontavam na Primavera.
Os lilases não são exuberantes como as glicínias. São uma árvore delicada que se adapta dificilmente aos solos. Talvez por isso só uma vez encontrei esta flor a vender na Romeira, da Av. de Roma, há muitos anos atrás.
Os lisboetas amigos de flores sabem que esta florista foi durante muito tempo o máximo de chique e de preços exorbitantes. Já não é.