Vou fazer compras ao El Corte Ingles. Está a chover e quero conceder-me "uns miminhos" (entre aspas porque era a minha intenção, naquele momentto). Mas antes preciso de tomar um café.
Já é tarde. Opto pela coca-cola que sempre me dá alguma genica.
Sento-me na salinha da taberna, do referido El Corte Ingles, e peço uma coca-cola com chips de batata doce. "Só há pepsi". Tudo bem. Aguardo.
Uma barata ligeira passa sob a minha mesa e corre para o balcão. Reparo que o chão está muito sujo. Fico um pouco enojada, mas não há perigo. A bebida vem numa garrafa fechada e a batata foi frita a alta temperatura.
A bebida vem numa lata. Não são chips de batata doce, mas cascas de batata comum fritas (agora usa-se). Vêm acompanhadas de um molho. Não toco no molho e hesito se devo incomodar-me a devolver as batatas. Decido apenas dizer ao empregado à saída que aquilo não era batata doce. Mas ele não conhecia as chips de batata doce.
Pago 5 euros e meio e estou convencida: vou montar um negócio de cascas de batatas (antigamente dizia-se de cascas de alhos).
No supermercado olho desoladamente a fruta banal a preços de luxo. Não há cerejas. Céus! Este ano não consigo encontrar cerejas. Escolho uma embalagem plástica com nectarinas polidas. Conto-as em casa. Tem nove e só as duas de cima não estão podres, mas todas estrategicamente disfarçadas.
Está decidido: um negócio de cascas de batatas e de nectarinas podres. Não trouxe mais primícias e por isso o negócio fica tão reduzido.
Ó El Corte Ingles, e eu que tanto te amei e conheço tão bem os teus segredos (só isso me permitiu ter trazido algumas compras aproveitáveis de produtos que só em ti se encontram).