sábado, 21 de janeiro de 2023

“THE CROWN” LAVA MAIS BRANCO

Resisti durante meses e meses a ver esta série da Netflix. Perante a pobreza que caracteriza a maioria das produções deste canal e as opiniões positivas que ouvia sobre a verdade, é certo que ficcionada, da dita série, acabei por ceder e começar a vê.la religiosamente desde o início. Falta-me um episódio para acabar a segunda season, mas aprendi, aprendi muito.

 

1. A rainha Isabel era uma senhora inteligente, arguta e virtuosa, tão virtuosa que só é comparável a Nossa Senhora de Fátima com a vantagem de saber dançar com elegância e agilidade o fox-trot.

 

2. A rainha Isabel era o verdadeiro timoneiro do Commonwealth (bem-estar comum, mais comum a uns do que a outros). A sua ligação ao divino através da coroa que lhe puseram na cabeça vai se desenhando devagar, mas com persistência.

 

3. Os líderes dos países africanos, Egito, Gana, etc. eram uns bandidos e simultaneamente uns totós ignorantes tal como a população africana que apoiava as ideias independentistas destes lacaios do comunismo

 

4. Sobre a independência da India (como se atreveram os indígenas a este ato desrespeitoso?) e criação do Paquistão, uma das maiores chacinas da História, nada se diz, nem sobre o papel nessa sangria do primeiro-ministro Winston Churchill e de lord Mountbatten tio do príncipe Philip, o marido da rainha.

 

5. A Austrália e os seus testes nucleares que mataram centenas senão milhares de aborígenes, nem pio. África e a sua população, vista como um conjunto saloio ignorante, é o bombo da festa.

 

6. No campo dos casos do dia, temos o caso da senhora Kennedy, representada por uma atriz escanzelada, de aspeto doentio e esfomeado, em que as roupas não assentam nada bem e cujo visual nada tem de charmoso. Além do tudo o mais a rainha dá-lhe uma lição poderosa sobre qual a mulher mais bonita e inteligente do mundo (a saber a rainha herself), enquanto recebe a desgraçada senhora Kennedy, comendo uns scones com manteiga e compota, perdão manteiga com uns scones e compota, e mandando às urtigas o protocolo. Classe é classe!

 

7. Não posso esquecer o Príncipe Philip, marido da rainha, desmiolado mulherengo que a rainha converteu em bom marido e em pai empenhado, com uma visão muito própria da pedagogia baseada na sua coragem, tenacidade e bravura juvenis que lhe moldaram o caráter digno de um líder. Pois o bravo Philip que muito sofreu construiu em jovem um muro à chuva e ao frio gélido, sozinho, acarretando tijolos de dezenas de quilos e segurando grades de um portão de peso incalculável. Esta pedagogia baseada na humilhação e na indiferença vai ser aplicada a seu mando no filho Carlos que descreve estes anos de martírio como anos de “prisão, viver no inferno”. Um ponto para o Carlos.

 

8. O Philip que passou à história como um desbocado era simplesmente um HEROI, completamente ilibado de um dos maiores escândalos da Inglaterra, o caso Profumo que, para ele, foi mesmo só fumo.

 

Pois não sei se tenho coragem para continuar a ver a série embora já me tenham garantido que a melhor season é a quarta. Para mim, “The Crown” tem sido uma lavagem da História e uma forma de tornar a rainha uma lenda (sina das Isabeis inglesas) e mostrar afinal, apesar de todas almofadas que a CROWN é o Commonwealth, ou seja, o império britânico outrora o mais poderoso da Terra e que se tem vindo a esfarelar com a ajuda dos seus aliados em geral e com especial relevo dos EUA. Malhas que o império tece…