Ontem o Francisco veio fazer-me uma visita. Deambulou pela casa calado e
distraído.
— Queres uma torrada, Francisco?
— Não, não me apetece,
— E um gelado pequenino?
— Também não.
Mas lá acabou por comer o gelado.
No parque dizia-me ele:
— Gostei do que vi em tua casa.
— ?
— As tuas pinturas. São muito
boas. Porque não vendes?
— Francisco, a avó já não tem
paciência para isso.
— Podias pedir à polícia que te
montasse uma tenda e vendias lá.
— Pois, Francisco. Não sei se é
boa ideia.
— Assim ninguém sabia que era uma velhota que fazia aquelas coisas.
Rio-me.
— De que te ris? O que é que eu
disse que te fez rir?
— Aquilo da velhota…
O Francisco sente que me atingiu
e apresenta uma série de explicações em que velhota é substituída por avó, etc.
Mas Francisco apanhaste a
essência da coisa. We must be
young forever. Assim o exige a sociedade que criámos.
Além disso, tens razão, a minha
casa está a tornar-se devagar, devagarinho numa arrumação de um qualquer museu.
Ia escrever museu do Louvre, mas seria muita empáfia.
Na imagem, um aspeto micro do meu museu caseiro.