quarta-feira, 30 de agosto de 2023

CONVERSAS FRANSCISCANAS SEMPRE

Ontem o Francisco veio fazer-me uma visita. Deambulou pela casa calado e distraído.

— Queres uma torrada, Francisco?

— Não, não me apetece,

— E um gelado pequenino?

— Também não.

Mas lá acabou por comer o gelado.

No parque dizia-me ele:

— Gostei do que vi em tua casa.

— ?

— As tuas pinturas. São muito boas. Porque não vendes?

— Francisco, a avó já não tem paciência para isso.

— Podias pedir à polícia que te montasse uma tenda e vendias lá.

— Pois, Francisco. Não sei se é boa ideia.

— Assim ninguém sabia que era uma velhota que fazia aquelas coisas.

Rio-me.

— De que te ris? O que é que eu disse que te fez rir?

— Aquilo da velhota…

O Francisco sente que me atingiu e apresenta uma série de explicações em que velhota é substituída por avó, etc.

Mas Francisco apanhaste a essência da coisa. We must be young forever. Assim o exige a sociedade que criámos.

Além disso, tens razão, a minha casa está a tornar-se devagar, devagarinho numa arrumação de um qualquer museu. Ia escrever museu do Louvre, mas seria muita empáfia.

Na imagem, um aspeto micro do meu museu caseiro.