sábado, 15 de junho de 2024

AOS POETAS QUE AINDA SE VESTEM DE POETAS, AOS FILÓSOFOS QUE AINDA SE VESTEM DE FILÓSOFOS, AOS ARTISTAS QUE SE VESTEM DE ARTISTAS, AOS CIENTISTAS LOUCOS QUE SE VESTEM DE CIENTISTAS LOUCOS...


Eu sou de um tempo em que havia uma farda para os Poetas, os Filósofos, os Artistas e os Cientistas Loucos e, assim, quando íamos na rua, olhávamos e dizíamos aquele é Poeta ou é Filósofo (a farda era parecida) ou Artista (a farda mais bonita era a dos Artistas). O Cientista Louco era diferente de todos os outros e era fácil de reconhecer, mas já nesse tempo eram raros.
Hoje, restam poucos exemplares desses grupos, e as pessoas sentem-se perdidas. Os Poetas ficaram ermos de si próprios e os Filósofos foram obrigados a despir a farda e a misturar-se com a gente comum. Os Cientistas Loucos transformaram-se em engenheiros.
Os jovens não são como eu era e já não os reconhecem na rua. Os jovens preferem ter alma de viajantes e partir num barco à descoberta de um mundo por descobrir.
Ah, mas ficaram os Artistas, os únicos cuja farda é a própria pele do corpo e não precisam de se arranjar antes de sair à rua, porque eles também navegam num barco à descoberta de um mundo por descobrir.



IMAGEM DE UM POETA COM FARDA