Eu sou de um tempo em que havia uma farda para os Poetas, os Filósofos, os Artistas e os Cientistas Loucos e, assim, quando íamos na rua, olhávamos e dizíamos aquele é Poeta ou é Filósofo (a farda era parecida) ou Artista (a farda mais bonita era a dos Artistas). O Cientista Louco era diferente de todos os outros e era fácil de reconhecer, mas já nesse tempo eram raros.
Hoje, restam poucos exemplares desses grupos, e as pessoas sentem-se perdidas. Os Poetas ficaram ermos de si próprios e os Filósofos foram obrigados a despir a farda e a misturar-se com a gente comum. Os Cientistas Loucos transformaram-se em engenheiros.
Os jovens não são como eu era e já não os reconhecem na rua. Os jovens preferem ter alma de viajantes e partir num barco à descoberta de um mundo por descobrir.
Ah, mas ficaram os Artistas, os únicos cuja farda é a própria pele do corpo e não precisam de se arranjar antes de sair à rua, porque eles também navegam num barco à descoberta de um mundo por descobrir.
IMAGEM DE UM POETA COM FARDA