Este trevo de quatro folhas já existia em casa dos meus pais quando eu era
pequena. O vaso que tenho hoje é muito grande e tomba quase com o peso
das folhas. O que eu aprendi, e que ainda não li em lado nenhum, é que
esta planta não é nada parecida (a não ser na forma das folhas) com o
vulgar trevo dos campos.
São pequenos bolbos que se podem retirar da terra e
limpar na altura da Primavera. Cada bolbo tem a capacidade de se unir a
outro e forma uma espécie de rizoma dando origem a sete, oito ou mais
folhas. Nascem por volta de Maio e morrem em Novembro ou Dezembro
dependendo dos anos. Os bolbos ficam em dormência e eu aqueço-os com uma
camada das folhas velhas e secas como se fossem um cobertor. Depois,
nos finais de Março, começo a regar e aguardo pacientemente que apareça a
primeira minúscula, minúscula, minúscula folha. Esta minúscula folha
ergue-se num pé muito alto e começa a crescer até ficar quase do tamanho
da palma da mão. Depois vão aparecendo as outras. Dezenas, centenas de
folhas. À medida que aumenta o número diminui o tamanho. Mas são sempre
grandes. Dá sorte? Acho que sim.

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