terça-feira, 19 de setembro de 2017
Ate-se como quiser
Em 2014, o juiz Rui Teixeira, que conduziu a instrução do processo "Casa Pia" e que agora está colocado no Tribunal de Torres Vedras, não quer os pareceres técnicos sociais com o novo Acordo Ortográfico. Na altura publiquei no Facebook a resposta que abaixo transcrevo:
Meu caro Juiz,
A ignorância continua a ser uma coisa mal-cheirosa, com ou sem acordo ortográfico. Agradecia que me explicasse o que têm os cágados a ver com o acordo ortográfico. Como certamente devia saber até porque tem formação que a isso obriga, as palavras esdrúxulas, é o caso de cágado, continuam a ter um acento gráfico obrigatório na antepenúltima silaba. Portanto, deverá continuar a colocar obrigatoriamente acento em palavras tais como história, última, número, sílaba, cágado, etc. Não sabia o senhor magistrado que era uma pilhéria (palavra também esdrúxula) dos detratores do referido acordo, a história do cágado bem como muitas outras. Por outro lado, antes de proibir seja o que for, deverá tal como nós o fazemos honrar os acordos que nós, Portugueses, assinamos, e não é a patente de juiz que lhe confere o direito a ter leis especiais na sua comarca. Quando foi discutido o referido acordo não me lembra de ter ouvido a sua voz erguer-se. Acha que agora que as editoras mudaram os livros, os dicionários, os prontuários, e que os alunos aprendem de acordo com o referido acordo V. Ex. cia pode fazer lei em contrário? É que o exemplo vindo de quem devia cumprir a lei, anima-me a mim e espere que a muitos outros a entrar num processo revolucionário de fazer as minhas próprias leis, mandando a um certo sítio a dívida que temos. Eles que a paguem e os mercados que se lixem, o mesmo em relação a multas, coimas e outras atribulações que o cidadão comum tem de cumprir.
Por iso, ate-se como quiser.
quarta-feira, 13 de setembro de 2017
A SENHORA VIZINHA
A minha mãe dizia muitas vezes, "Não te portes como uma senhora vizinha." E o que era a senhora vizinha? Alguém que se metia na vida dos outros, que comentava o que via e imaginava o que não via, alguém que lançava o boato. A vizinha era uma pessoa simpática e normal, mas uma "senhora vizinha" era alguém pouco recomendável, a fonte da maledicência, que arruinava tantas vezes a reputação das donzelas — o que numa cidade provinciana e naquela época tinha muita importância — e o bom nome dos outros criando uma suspeita que ficava a pairar sobre a cabeça dos pobres visados pela "senhora vizinha".
A comunicação social portuguesa — quase toda, para não dizer toda — é uma "senhora vizinh" ao serviço da direita.
Dizia ela (comunicação social) de políticos de esquerda, "É maricas." Não resultava. "Tem muitas mulheres e gasta todo o dinheiro com elas". Também não resultava. Então descobriu. Vamos dizer que fizeram negócios sujos que são corruptos, que traficaram influências. E aí descobriram a pólvora. Porque demora tempo a provar o contrário. Porque talvez consigamos que nem se prove. E agora aí estão eles de novo a atacar com o mesmo tipo de arma.
Repararam que dos políticos de direita jamais alguém se atreveria a perguntar, "como comprou a sua casa?". Mas os de esquerda têm de se despir na praça pública e mesmo assim haverá sempre os sabujos que dizem que aquilo que eles apresentam é forjado.
Quando teremos coragem de inverter estas infâmias e silenciar estas "senhoras vizinhas". Elas já testaram a maledicência e todos se calaram. Agora, é repetir a receita. Que alguém se indigne, PORRA!
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