quarta-feira, 13 de setembro de 2017

A SENHORA VIZINHA


A minha mãe dizia muitas vezes, "Não te portes como uma senhora vizinha." E o que era a senhora vizinha? Alguém que se metia na vida dos outros, que comentava o que via e imaginava o que não via, alguém que lançava o boato. A vizinha era uma pessoa simpática e normal, mas uma "senhora vizinha" era alguém pouco recomendável, a fonte da maledicência, que arruinava tantas vezes a reputação das donzelas — o que numa cidade provinciana e naquela época tinha muita importância — e o bom nome dos outros criando uma suspeita que ficava a pairar sobre a cabeça dos pobres visados pela "senhora vizinha".

A comunicação social portuguesa — quase toda, para não dizer toda — é uma "senhora vizinh" ao serviço da direita.

Dizia ela (comunicação social) de políticos de esquerda, "É maricas." Não resultava. "Tem muitas mulheres e gasta todo o dinheiro com elas". Também não resultava. Então descobriu. Vamos dizer que fizeram negócios sujos que são corruptos, que traficaram influências. E aí descobriram a pólvora. Porque demora tempo a provar o contrário. Porque talvez consigamos que nem se prove. E agora aí estão eles de novo a atacar com o mesmo tipo de arma.

Repararam que dos políticos de direita jamais alguém se atreveria a perguntar, "como comprou a sua casa?". Mas os de esquerda têm de se despir na praça pública e mesmo assim haverá sempre os sabujos que dizem que aquilo que eles apresentam é forjado.

Quando teremos coragem de inverter estas infâmias e silenciar estas "senhoras vizinhas". Elas já testaram a maledicência e todos se calaram. Agora, é repetir a receita. Que alguém se indigne, PORRA!

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