quinta-feira, 10 de maio de 2018

A IMPORTÂNCIA DOS P, DOS C E DE OUTROS QUEJANDOS

Alguma vez eu havia de estar em total desacordo com o Pacheco Pereira. Faltam-lhe filhos pequenos ou netos e sobra-lhe dinheiro para renovar a sua biblioteca e apoiar as editoras escolares, as únicas que fazem dinheiro a sério no nosso País.

A ausência de gosto pela leitura (de que ele fala) não acontece por causa do novo acordo ortográfico, não. Mas, entre outros fatores, porque ninguém olha para os programas de Língua Portuguesa feitos expressamente para afugentar qualquer amor pela língua e para favorecer os mais afortunados culturalmente, que têm uma mãe ou uma avó, um pai ou um avô ou toda a família a darem-hes livros, a conversarem sobre o que eles leram, a explicarem-lhes as palavras que não compreendem, a inseri-los em épocas e contextos culturais diversos dos atuais, a levá-los ao teatro, a verem exposições e criarem-lhes situações de escrita, em suma, a romperem-lhes os horizontes culturais.

As crianças oriundas de um meio pobre culturalmente estão privadas de qualquer contacto com a beleza da língua, com as histórias fantásticas que os nossos escritores e os de outros países escreveram, da oportunidade de ganharem o gosto por qualquer tipo de escrita, ou simplesmente de aprenderem, numa perspetiva puramente pragmática, a fazer um relatório, uma carta de apresentação, um currículo, uma reclamação, etc. Porque, meu caro PP, é na escolaridade obrigatória que se lê o que jamais se lerá, que se ouve falar de escritores de que jamais se ouvirá falar, que se ouvem e lêem as histórias tradicionais, não apenas as chatas mas muitas, que se aprende a escrever não como o Camões mas como um cidadão português. E para aprender a escrever é preciso que os professores ensinem e saibam ensinar esta "competência" e não ignorem durante anos seguidos a atividade da escrita, para exigirem nas fichas de avaliação um texto argumentativo, narrativo, dramático, etc, que nunca trabalharam na aula porque não têm tempo e dá muito trabalho. Se dá. Dá mesmo...

Mas se toda a nossa atenção se concentra nos tais P e C que saíram das palavras e que as crianças já não conhecem porque aprenderam a ortografia de uma forma ligeiramente diferente da que o meu amigo usa, então realmente a língua portuguesa ficará mais pobre, porque eles aprenderão a grafar essas consoantes com mais um grande esforço, e continuarão a encornar uma nomenclatura hermética, pesada, disparatada para sairem da escola uns perfeitos analfabetos. (Ver com atenção a nova nomenclatura gramatical) Dá-me uma grande fúria esta situação.

FARTA DOS INTELECTUAIS E DOS IGNORANTES, QUE ÀS VEZES SÃO MUITO PARECIDOS


Depois de ler muitos comentários e artigos sobre os defeitos dos países do Médio e do Extremo Oriente sinto-me a modos que prò enojada.
Gritam os eruditos, os sábios e muita outra gente menos erudita e menos sábia sobre o medo e o espartilho dos povos coreano, chinês (dos japoneses que, infelizmente tiveram de estar mais ao lado dos americanos, pouco se diz) como se todos os povos tivessem a mesma ancestralidade e todos tivesse de ser medidos pela nossa bitola.
Do Médio Oriente é a história das famílias dinásticas e das ditaduras. Mas mesmo aqui há dois pesos e duas medidas. Lá vão os excelsos comentadores atrás da influència americana. E toca a medir os costumes e tradições desses povos pela medida ocidental, sobretudo daqueles que a opinião americana condena.
Ó não são iguais a nós! Nós, os ocidentais, os que não têm medo, os livres, os que não têm famílias dinásticas, enfim, como rodos sabemos o exemplo dos valores mais puros da Terra.
Depois queixam-se que a globalização pôs os países todos iguais. Depois queixam-se que está tudo americanizado. Depois queixam-se da colonização e eu queixo-me também da opinião vista à luz dos valores ocidentais onde tudo ´o que é diferente é censurável, exceto, está claro, a culinária. Para encher as panças dos ocidentais que têm de ser bem tratados, à medida da sua grandeza civilizacional.