segunda-feira, 30 de julho de 2018

VEMOS, OUVIMOS E LEMOS ... O NOSSO TEMPO É PECADO ORGANIZADO

Algo está podre no reino de Portugal e noutros reinos do mundo quando o poema "Cantata de Paz" de Sophia de Mello não passa de uma canção cantada pelo Francisco Fanhais.

Afirmações deste calibre quando divulgadas por pessoas com "alguma credibilidade" fazem perder a noção de autoria, aspeto em que a Internet é prolífera. Neste espaço, muitos se apossam daquilo que não lhes pertence. Neste espaço muitos acrescentam obra a autores que desconhecem.

São exemplo desta segunda afirmação, os poemas e textos atribuídos a Clarice Lispector, Fernando Pessoa e seus heterónimos, Goethe, Karl Marx, etc., etc., etc. E pior! Nunca são textos que tenham alguma coisa a ver com o estilo e/ou temática dos autores. Não os dignificam, pelo contrário.

São exemplo da primeira afirmação, não apenas a pilhagem desbragada daquilo que os outros escreveram, mas também a identificação da autoria de um poema pelo seu cantante, sobretudo quando esse cantante tem algum pedigree. Note-se que o cantante não tem qualquer responsabilidade no sucedido.

Já imaginaram este diálogo:
— "Então não se diz: "Eu quero amar, amar perdidamente..."?
— "Ah pois, isso é uma canção do Luís Represas."

CANTATA DE PAZ

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror

A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças

D`África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados

Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 29 de julho de 2018

O PORTUGUÊS É INVEJOSO, JÁ DIZIA ESTRABÃO

"O português é romântico", assim canta o humorista. "O português é poeta", uma afirmação muito comum. "O português é pacóvio, embiocado e invejoso", assim digo eu.
O português imagina ou finge imaginar que é impossível que alguém de esquerda, nomeadamente do PCP, do BE e, se lhe der jeito, do PS, possa vestir um fato Armani, usar um perfume da Boss, ter um Maserati, viver numa casa com piscina, e por aí vamos.
Para o português, pessoas de esquerda deviam andar mal vestidas, de preferência com sapatos muito usados ou mesmo rotos, não usar qualquer perfume, andarem a pé ou de burro, morarem numa casa humilde (numa casa portuguesa), darem a sua herança de família aos pobres e comerem sopa de urtigas.
Vem isto a propósito do "escândalo" ridículo, bué de ridículo, do vereador do BE que comprou "in diebus illis" um prédio por pouco dinheiro em Alfama. Ora agora o prédio vale muito mais e aí é que está o "busílis" da questão.
"Bolas, que podia ter sido eu a comprar aquele prédio!", pensam eles e ficam roxos de inveja. "Vamos já tratar do assunto e fazer o gajo passar um mau bocado".
Com tanta a gente praí a roubar e a falcratuar, estão preocupadíssimos com o prédio do vereador, que o homem comprou e que, por acaso, até foi um bom negócio. "Ah, pois, mas ele sabia." Ó meus amigos, sabia ele e sabias tu, sabia eu e sabíeis vós. Não o comprei, tenho pena. Alguém o comprou, bom proveito.
PS. Não sou simpatizante do BE, mas não é preciso. Só é preciso viver em 2018, em Lisboa, ter dois dedos de testa (e não ser invejoso).