Algo está podre no reino de Portugal e noutros reinos do mundo quando o poema "Cantata de Paz" de Sophia de Mello não passa de uma canção cantada pelo Francisco Fanhais.
Afirmações deste calibre quando divulgadas por pessoas com "alguma credibilidade" fazem perder a noção de autoria, aspeto em que a Internet é prolífera. Neste espaço, muitos se apossam daquilo que não lhes pertence. Neste espaço muitos acrescentam obra a autores que desconhecem.
São exemplo desta segunda afirmação, os poemas e textos atribuídos a Clarice Lispector, Fernando Pessoa e seus heterónimos, Goethe, Karl Marx, etc., etc., etc. E pior! Nunca são textos que tenham alguma coisa a ver com o estilo e/ou temática dos autores. Não os dignificam, pelo contrário.
São exemplo da primeira afirmação, não apenas a pilhagem desbragada daquilo que os outros escreveram, mas também a identificação da autoria de um poema pelo seu cantante, sobretudo quando esse cantante tem algum pedigree. Note-se que o cantante não tem qualquer responsabilidade no sucedido.
Já imaginaram este diálogo:
— "Então não se diz: "Eu quero amar, amar perdidamente..."?
— "Ah pois, isso é uma canção do Luís Represas."
CANTATA DE PAZ
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror
A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças
D`África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados
Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.
Sophia de Mello Breyner Andresen
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