domingo, 14 de abril de 2019

SENTIR AS PALAVRAS


Há muitos anos, testei em vários locais um software experimental, que eu tinha imaginado como forma de despertar a sensibilidade dos alunos para a beleza das palavras e que se chamava "Sentir as palavras"..
Hoje quando fazia as limpezas habituais na minha coleção infinita de livros, revistas e documentos, encontrei uma agenda com os poemas que alguns "experimentadores", de cuja idade já não me lembro, fizeram numa sessão na ESE de Setúbal.
O sofware alimentava-se das palavras que os próprios utilizadores iam introduzindo, sendo que como se vê pela amostra em anexo eram ainda muito poucas. Essas palavras obedeciam também a determinados critérios.
Para registo futuro aqui ficam os inspirados poemas destes utilizadores, que demonstram a importância da junção de palavras e o aspeto tantas vezes mecânico da poesia, o que não lhe tira o valor, tal como demonstrou Edgar Alan Poe no seu "Corvo".(The Raven). O Poe que me perdoe a comparação destes pretensos poemas com a sua obra de uma métrica e sonoridade perfeitas.
A agenda vai para o lixo. RIP.


O pálido sol do entardecer
Acendia no verde-escuro das árvores
Tons de mel e de âmbar
Teresa Branco
Entardece
O ouro do favo de mel estremece
Na luz pálida
Ana Paula
Na tarde de verão
Ouro dormia nas searas
O trigo exalava suspiros tépidos
Maria João e Francília
As espigas adornam a tarde
O sol estala sobre a paisagem
Acendida de ouro.
Ana Maria e Cristina
A tarde rápida escorre
No terno abraço do sol
Como brincos de oiro os favos.
Helena Vicente
Dormir no pálido acender do teu olhar
Tão saboroso como o favo de mel
Do nosso despertar.
Aurora
Dorme a lâmpada
De luz doirada de mel
A estrela acende a noite.
Virgílio

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