Há muitos anos, testei em vários locais um software experimental, que eu tinha imaginado como forma de despertar a sensibilidade dos alunos para a beleza das palavras e que se chamava "Sentir as palavras"..
Hoje quando fazia as limpezas habituais na minha coleção infinita de livros, revistas e documentos, encontrei uma agenda com os poemas que alguns "experimentadores", de cuja idade já não me lembro, fizeram numa sessão na ESE de Setúbal.
O sofware alimentava-se das palavras que os próprios utilizadores iam introduzindo, sendo que como se vê pela amostra em anexo eram ainda muito poucas. Essas palavras obedeciam também a determinados critérios.
Para registo futuro aqui ficam os inspirados poemas destes utilizadores, que demonstram a importância da junção de palavras e o aspeto tantas vezes mecânico da poesia, o que não lhe tira o valor, tal como demonstrou Edgar Alan Poe no seu "Corvo".(The Raven). O Poe que me perdoe a comparação destes pretensos poemas com a sua obra de uma métrica e sonoridade perfeitas.
A agenda vai para o lixo. RIP.
O pálido sol do entardecer
Acendia no verde-escuro das árvores
Tons de mel e de âmbar
Teresa Branco
Entardece
O ouro do favo de mel estremece
Na luz pálida
O ouro do favo de mel estremece
Na luz pálida
Ana Paula
Na tarde de verão
Ouro dormia nas searas
O trigo exalava suspiros tépidos
Ouro dormia nas searas
O trigo exalava suspiros tépidos
Maria João e Francília
As espigas adornam a tarde
O sol estala sobre a paisagem
Acendida de ouro.
O sol estala sobre a paisagem
Acendida de ouro.
Ana Maria e Cristina
A tarde rápida escorre
No terno abraço do sol
Como brincos de oiro os favos.
No terno abraço do sol
Como brincos de oiro os favos.
Helena Vicente
Dormir no pálido acender do teu olhar
Tão saboroso como o favo de mel
Do nosso despertar.
Tão saboroso como o favo de mel
Do nosso despertar.
Aurora
Dorme a lâmpada
De luz doirada de mel
A estrela acende a noite.
De luz doirada de mel
A estrela acende a noite.
Virgílio
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