domingo, 23 de junho de 2019

LINGUAGEM FRANCISCANA


O Francisco vem visitar-me muitas vezes. Entra com ar pesquisador.
- Olá, Francisco. Queres melancia?
. Não.
- E mirtilos?
- Não, obrigado.
- Então? Vamos ver livros com figuras que mexem?
Dispara para o meu quarto. Pego num livro cartonado com imagens 3 D, também chamadas pop-up, porque se abrem. O Francisco fica maravilhado com estes efeitos. Mas os livros estão muito usados. Eram da mãe e do tio e já foram dos irmãos do Francisco e às vezes as imagens já não abrem bem e faltam-lhe pedaços.
Pego no livro e começo a sessão.
- Um gofetão! - exclama o Francisco.
- Um foguetão - corrijo eu.
Mais adiante:
- Olha outro fotegão.
- Foguetão, Francisco.
Ali estamos a ver gofetões e fotegões. Por fim o Francisco pede o autocarro de Londres.Dou-lhe a miniatura vermelhinha que ele adora.
Vamos regar as plantas. Ele é muito bem mandado e gostava de as regar literalmente. Mas agora já vai gritando na minha frente:
- É na terra! É na terra.
Depois desta tarefa quer jogar o dominó.
- Quero chá com torrada - pede.
Vou preparar o lanche enquanto ele se entretém, com as peças.
- Chá vermelho! - grita o Francisco que é um apreciador de rooibos.
Passamos aos perfumes. No quarto que foi da mãe dele existe um coleção infinita de miniaturas e uma caixinha de plástico com as que ele pode admirar. Abre as tampinhas e cheira. Pede-me a opinião sobre os diferentes aromas.
- Cheira muito bem, Francisco.
- Anda, avó. Vamos ver os perfumes na internet.
Ali fico eu a ler os rótulos e a procurar a imagem dos frasquinhos no google. O Francisco delira quando o frasquinho aparece no ecrã. E compara.
E assim vamos caminhando na tarde. Quando a mãe o vem buscar, o pequerrucho pega na caixa de plástico com os perfumes.
- Mamã, é para levar para nosso casa.
E avança com o tesouro agarrado contra o peito.

segunda-feira, 10 de junho de 2019

As ginastas da Escola Secundária de Benfica

A Escola Secundária José Gomes Ferreira fica em Benfica, perto do Fonte Nova, e muitos já devem ter passado por ela. Não consegui arranjar nenhuma foto atual do edifício que,agora, está rodeado de verdura. Mas aqui vão fotos que encontrei na internet. 

Pois bem, hoje (ossos do ofício de avó) fui assistir ao sarau do final do ano do Clube Sport Lisboa e Benfica. Isso, o tal "glorioso". Participavam outras instituições e lá estava o impecável Ginásio Clube Português, com as suas ginastas de elite, e outros grupos, bem como uma infinidade de classes do SLB. 

Para meu agrado e espanto, a Secundária de Benfica (assim é conhecida a Escola Secundária José Gomes Ferreira) apresentou um grupo misto de ginastas masculinos e ginastas femininas de alto gabarito. O melhor de tudo o que vi. Melhor do que o Ginásio Clube Português? Sim, sim. Melhor. Onde se prova que vale a pena investir na escola pública. 

Não, não é a dar apoio ao ensino privado que vamos lá das pernas. Se queremos ser um país de "quarto mundo", invistam no privado. Se queremos abandonar esse caminho, invistam no público e, por favor, não digam que é um luxo. Sabem as quantias que são gastas no privado? Não sou suspeita porque os meus netos frequentam os três o ensino privado. Porquê? Porque no agrupamento que teriam de frequentar as crianças não têm segurança.

 Para terminar... a foto das ginastas que anexo, não é a do sarau. Não estava a contar e não filmei nem tirei nenhuma foto. MEA CULPA.



Nenhuma descrição de foto disponível.

Nenhuma descrição de foto disponível.

terça-feira, 4 de junho de 2019

O FOLCLORE

Depois do ataque terrorista vêm as flores no chão, os heróis que fizeram mirabolâncias, até abriram a porta para abrigar três pessoas, as curiosidades: o transeunte que se salvou porque resolveu ir por outro caminho, o transeunte que tirou a foto do terrorista, com tanta sorte, tanta sorte, que passou mesmo ali ao lado quando o polícia lhe deu o tiro, o transeunte que apanhou com uma bala perdida na cabeça, mas nada de grave, etc., etc.
O terror banalizou-se, a morte idem aspas. Lembra-me aquelas imagens de uma multidão em modo de gritaria, erguendo o corpo de um jovem palestiniano que um soldado israelita ou uma dúzia deles tinha morto. Transformaram-se em folclore. Não tinham significado.
Agora, voltamos ao folclore e às declarações formidáveis: "Não cederemos ao medo. Não permitiremos que ele destrua o modo de vida da sociedade ocidental." Mas na realidade o que se faz é instilar o medo (veja-se o resultado em Itália) e banalizar a morte. E as declarações inflamadas dos defensores do bem-estar mundial, Trump e companhia, não nos ajudam nada a nós. A eles, talvez.