Depois do ataque terrorista vêm as flores no chão, os heróis que fizeram mirabolâncias, até abriram a porta para abrigar três pessoas, as curiosidades: o transeunte que se salvou porque resolveu ir por outro caminho, o transeunte que tirou a foto do terrorista, com tanta sorte, tanta sorte, que passou mesmo ali ao lado quando o polícia lhe deu o tiro, o transeunte que apanhou com uma bala perdida na cabeça, mas nada de grave, etc., etc.
O terror banalizou-se, a morte idem aspas. Lembra-me aquelas imagens de uma multidão em modo de gritaria, erguendo o corpo de um jovem palestiniano que um soldado israelita ou uma dúzia deles tinha morto. Transformaram-se em folclore. Não tinham significado.
Agora, voltamos ao folclore e às declarações formidáveis: "Não cederemos ao medo. Não permitiremos que ele destrua o modo de vida da sociedade ocidental." Mas na realidade o que se faz é instilar o medo (veja-se o resultado em Itália) e banalizar a morte. E as declarações inflamadas dos defensores do bem-estar mundial, Trump e companhia, não nos ajudam nada a nós. A eles, talvez.
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