quarta-feira, 28 de agosto de 2019

EM 2017 - COR-DE-ROSA e AZUL


1. Conheço uma senhora que vê anjos nas nuvens, cruzes no céu, e por aí fora. Nunca a contrario. Estas são situações sem remédio.
Toda a gente entende o que é lutar pela igualdade de género e os resultados positivos dessa luta. Os que fingem não perceber isso ou não percebem mesmo são como a senhora que vê cruzes no céu e anjos nas nuvens.
Nem no tempo do estado novo se faziam livros escolares ou para-escolares diferenciados. O Livro da Primeira Classe, ilustrada por Raquel Roque Gameiro de uma forma magnífica, tinha nas guias das capas meninas fazendo trabalhos domésticos, nas guias da contracapa, rapazes pescando, pintando, etc. O livro era o mesmo para rapazes e raparigas, embora a dicotomia das profissões e funções na vida dos rapazes e das raparigas estivesse expresso em todo o livro.
Fazer livros cor de rosa e azuis para efeitos para-escolares, com atividades simplistas para raparigas e mais complexas para rapazes é medieval, mas ACIMA DE TUDO é um golpe publicitário e uma forma de ganhar dinheiro à custa da ignorância atávica de um povo saudosista, embiocado, paralisado nas ideias, plantado num canto da Europa.
Neste jardim medievo despontam contudo grandes homens e mulheres inovadores e criativos. A esses peço desculpa por este comentário.

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2. Imaginem só que não vi, porque não estava em Lisboa e ainda que estivesse não teria visto, o Governo Sombra, onde o papa Ricardo A. P. se pronunciou sobre os tais livros, fazendo chacota daqueles que se insurgiram contra eles e afirmando que a Ana Valente a a Rita Duque tinham sofrido um processo de linchamento na internet.
Nã...... nã...... Ricardinho, NÃO SOFRERAM.
Estas senhoras trabalham para uma editora que lhes encomenda uma tarefa, e a editora diz sempre a sua opinião. "É isto que queremos. Não, não é isto que queremos".
Os produtores de um livro de ensino, ilustradores e escritores, só publicam o que a editora aprova e não aquilo que querem.
MAIS, muitas vezes têm de alterar aquilo que desenharam ou escreveram para agradar à editora na pessoa dos seus diferentes coordenadores editoriais.
Estas senhoras só poderão ser linchadas porque o RAP afirmou tal coisa para os seus ouvintes — ignorantes e não ignorantes. Quem estava em causa era a editora e não a Ana e a Rita que produziram o trabalho que lhes foi pedido.
Em nome do que sofrem as ilustradoras e os escritores para agradar tantas vezes a pessoas míopes eu venho aqui realçar que elas não têm qualquer responsabilidade no assunto, mesmo que o RAP quisesse fazer o favor de limpar a Porto Editora.
Os livros eram do ano passado? Excelente. Estamos a ficar mais críticos e não comemos toda a M que nos impingem.

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

OBRIGADA

Na mágica noite do último dia de Julho, a tua alma elevou-se na pureza infinita do céu para procurares uma nova morada terrestre. Escolheste uma jovem que ia em busca do amor para nela habitares.
Os que te choram não sabem que permaneces no beijo apaixonado desse casal e na felicidade que irradia do seu abraço.
Obrigada.