1. Conheço uma senhora que vê anjos nas nuvens, cruzes no céu, e por aí fora. Nunca a contrario. Estas são situações sem remédio.
Toda a gente entende o que é lutar pela igualdade de género e os resultados positivos dessa luta. Os que fingem não perceber isso ou não percebem mesmo são como a senhora que vê cruzes no céu e anjos nas nuvens.
Nem no tempo do estado novo se faziam livros escolares ou para-escolares diferenciados. O Livro da Primeira Classe, ilustrada por Raquel Roque Gameiro de uma forma magnífica, tinha nas guias das capas meninas fazendo trabalhos domésticos, nas guias da contracapa, rapazes pescando, pintando, etc. O livro era o mesmo para rapazes e raparigas, embora a dicotomia das profissões e funções na vida dos rapazes e das raparigas estivesse expresso em todo o livro.
Fazer livros cor de rosa e azuis para efeitos para-escolares, com atividades simplistas para raparigas e mais complexas para rapazes é medieval, mas ACIMA DE TUDO é um golpe publicitário e uma forma de ganhar dinheiro à custa da ignorância atávica de um povo saudosista, embiocado, paralisado nas ideias, plantado num canto da Europa.
Neste jardim medievo despontam contudo grandes homens e mulheres inovadores e criativos. A esses peço desculpa por este comentário.
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2. Imaginem só que não vi, porque não estava em Lisboa e ainda que estivesse não teria visto, o Governo Sombra, onde o papa Ricardo A. P. se pronunciou sobre os tais livros, fazendo chacota daqueles que se insurgiram contra eles e afirmando que a Ana Valente a a Rita Duque tinham sofrido um processo de linchamento na internet.
Nã...... nã...... Ricardinho, NÃO SOFRERAM.
Estas senhoras trabalham para uma editora que lhes encomenda uma tarefa, e a editora diz sempre a sua opinião. "É isto que queremos. Não, não é isto que queremos".
Os produtores de um livro de ensino, ilustradores e escritores, só publicam o que a editora aprova e não aquilo que querem.
MAIS, muitas vezes têm de alterar aquilo que desenharam ou escreveram para agradar à editora na pessoa dos seus diferentes coordenadores editoriais.
Estas senhoras só poderão ser linchadas porque o RAP afirmou tal coisa para os seus ouvintes — ignorantes e não ignorantes. Quem estava em causa era a editora e não a Ana e a Rita que produziram o trabalho que lhes foi pedido.
Em nome do que sofrem as ilustradoras e os escritores para agradar tantas vezes a pessoas míopes eu venho aqui realçar que elas não têm qualquer responsabilidade no assunto, mesmo que o RAP quisesse fazer o favor de limpar a Porto Editora.
Os livros eram do ano passado? Excelente. Estamos a ficar mais críticos e não comemos toda a M que nos impingem.
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