segunda-feira, 9 de novembro de 2020

OS ÂNGULOS RASOS

Um ângulo raso é um ângulo de 180º.

Feita esta introdução não-matemática, aqui vai a razão que me leva a designar certas pessoas como “ângulos rasos”.

A propósito da recente e benéfica mudança que ocorreu do outro lado do Atlântico, começa já a surgir aquele pessoal de esquerda que põe em causa os eleitos. "Não vão fazer nada", "Tudo vai ficar na mesma".

Primeiro congratulam-se (metade de cima), depois duvidam um pouco, a seguir põem em causa, finalmente disparam e elogiam o anterior que "afinal não era assim tão mau" (metade de baixo).  

As coisas são como são e se o equilíbrio/ desequilíbrio da política interna e externa dos EUA trumpianos nos pôs, entre outras coisas, à beira de uma guerra global e de uma guerra civil nos EUA, se a política trumpiana destruiu os princípios democráticos por todo o mundo, aliando-se inclusivamente às mais ferozes ditaduras, se exacerbou as tendências fascistas e desumanas de uma planeta em colapso, nada disso lhes importa.

Na verdade, todos sabemos que a dupla eleita não vai fazer a revolução, que a dupla eleita se vai ver à nora para criar de novo uma certa normalidade. E todos queremos ou devíamos querer que alguns pedregulhos saíssem do caminho. Serão poucos, mas alguns.

Que cada um contribua com a sua parcela minúscula para fortalecer a democracia e deixe de ser "ângulo raso", que não permite distinguir o lado em que se posiciona o “comentador”.  

Ser "ângulo raso" é uma doença que realça a vaidade, o querer ser mais original, mais contestatário, mais radical do que o seu vizinho. Uma doença que permite não estar de lado algum e ter sempre razão. Uma doença infantil com muitos "impacientes".