Um ângulo raso é um ângulo de 180º.
Feita
esta introdução não-matemática, aqui vai a razão que me leva a designar certas
pessoas como “ângulos rasos”.
A propósito da
recente e benéfica mudança que ocorreu do outro lado do Atlântico, começa já a
surgir aquele pessoal de esquerda que põe em causa os eleitos. "Não vão
fazer nada", "Tudo vai ficar na mesma".
Primeiro
congratulam-se (metade de cima), depois duvidam um pouco, a seguir põem em
causa, finalmente disparam e elogiam o anterior que "afinal não era assim
tão mau" (metade de baixo).
As coisas são como
são e se o equilíbrio/ desequilíbrio da política interna e externa dos EUA
trumpianos nos pôs, entre outras coisas, à beira de uma guerra global e de uma
guerra civil nos EUA, se a política trumpiana destruiu os princípios
democráticos por todo o mundo, aliando-se inclusivamente às mais ferozes
ditaduras, se exacerbou as tendências fascistas e desumanas de uma planeta em
colapso, nada disso lhes importa.
Na verdade, todos
sabemos que a dupla eleita não vai fazer a revolução, que a dupla eleita se vai
ver à nora para criar de novo uma certa normalidade. E todos queremos ou
devíamos querer que alguns pedregulhos saíssem do caminho. Serão poucos, mas
alguns.
Que cada um
contribua com a sua parcela minúscula para fortalecer a democracia e deixe de
ser "ângulo raso", que não permite distinguir o lado em que se posiciona
o “comentador”.
Ser "ângulo
raso" é uma doença que realça a vaidade, o querer ser mais original, mais
contestatário, mais radical do que o seu vizinho. Uma doença que permite não
estar de lado algum e ter sempre razão. Uma doença infantil com muitos
"impacientes".
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