terça-feira, 23 de novembro de 2021

O RAP DAS CONVERSAS EM FAMÍLIA

Afundada no marasmo televisivo noturno procurava qualquer coisa que pudesse entreter-me uns minutos antes que o sono me obrigasse a ir para a cama. Tarefa difícil porque talvez eu seja uma telespectadora também difícil.

No desenrolar do zapping descobri que havia um programa de “humor” na SIC com aquele RAP que nunca apreciei. Mas enfim… humor faz falta.
Parei uns minutos a ouvir. Que tristeza! As gargalhadas de uma vasta assistência, arrancadas seguramente por letreiros que diziam “RISO”, alertavam o espectador para o facto de que se tratava de um programa de humor, coisa de que ninguém suspeitaria.
Lembrei-me das “Conversas em família”, de tempos remotos. O que o RAP debitava, com tiques repetitivos e enfadonhos, tinha tanta graça como as palavras do professor. Esse procurava alertar a audiência para os perigos do comunismo. O RAP para os perigos deste governo.
À medida que o cabelo lhe vai caindo vê-se apenas a ambição que vai crescendo naquela cabeça e ocupando o lugar do humor, da sabedoria e da inteligência. Sim, porque, meus amigos, a fama que este homem ganhou de ser inteligente espanta-me. Eu sei que na terra dos cegos quem tem um olho é rei. Mas estou prestes a descobrir que quem é cego também.

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

"O DESPERTAR DOS MÁGICOS"

Que Louis Pauwels e Jacques Bergier me desculpem por me apossar do título do seu bestseller “Le Matin des Magiciens”. Em abono da verdade desta obra que li e apreciei há muitos anos apenas restou o título.

 Agora sirvo-me dele para designar este renascer da vida que se convencionou chamar DESCONFINAMENTO e que se desdobra em sessões de apresentação de obras literárias e não só, concertos, inaugurações, corridas, caminhadas, promessas de mudança de vida, promessas de salvação, promessas de amor, numa ânsia de recuperar o tempo perdido.

Tão forte é a noção que este período de “isolamento” nos deu da fragilidade da Vida que um assomo de loucura assola o planeta. Mas também um grito de liberdade que nos garante que essa mesma Vida permanece para além de nós. Os mágicos somos nós porque temos a suprema honra de possuir Vida mesmo que durante um tempo limitado.