terça-feira, 23 de novembro de 2021

O RAP DAS CONVERSAS EM FAMÍLIA

Afundada no marasmo televisivo noturno procurava qualquer coisa que pudesse entreter-me uns minutos antes que o sono me obrigasse a ir para a cama. Tarefa difícil porque talvez eu seja uma telespectadora também difícil.

No desenrolar do zapping descobri que havia um programa de “humor” na SIC com aquele RAP que nunca apreciei. Mas enfim… humor faz falta.
Parei uns minutos a ouvir. Que tristeza! As gargalhadas de uma vasta assistência, arrancadas seguramente por letreiros que diziam “RISO”, alertavam o espectador para o facto de que se tratava de um programa de humor, coisa de que ninguém suspeitaria.
Lembrei-me das “Conversas em família”, de tempos remotos. O que o RAP debitava, com tiques repetitivos e enfadonhos, tinha tanta graça como as palavras do professor. Esse procurava alertar a audiência para os perigos do comunismo. O RAP para os perigos deste governo.
À medida que o cabelo lhe vai caindo vê-se apenas a ambição que vai crescendo naquela cabeça e ocupando o lugar do humor, da sabedoria e da inteligência. Sim, porque, meus amigos, a fama que este homem ganhou de ser inteligente espanta-me. Eu sei que na terra dos cegos quem tem um olho é rei. Mas estou prestes a descobrir que quem é cego também.

Sem comentários:

Enviar um comentário