sábado, 16 de julho de 2022

UM BANHO TURCO

 

Em 2015 visitei Istambul. No regresso todos me perguntavam: "Então gostaste da mesquita azul, do palácio Topkapı, da igreja de Santa Sofia, da cisterna da Basílica, etc.?" E eu ia dizendo: "Gostei muito." Mas, realmente houve duas coisas que me impressionaram profundamente talvez porque os viajantes nunca me tenham falado delas.
Uma foi o Museu de Arqueologia de Istambul (parece que há vários). O que eu visitei fica muito próximo da igreja de Santa Sofia. Impressionou-me porque me deu uma visão diferente da História. O circuito: civilização egípcia, civilização minoica, civilização cretense, civilização grega, está de tal forma gravado em nós, que as grandes civilizações do Médio Oriente ficam esbatidas. Neste Museu encarei o aspeto grandioso e avançado da civilização assíria, dos aqueus, hititas, sumérios, e doutros povos do Médio Oriente cujo nome esqueci, a prodigiosa escrita cuneiforme, com as suas tabuinhas de argila, repositório das sagradas histórias da Humanidade. Histórias que a Bíblia repete.
A majestade, o refinamento, a elaboração destas civilizações que se desenvolveram no Médio Oriente é prodigiosa e, apesar das guerras que ao longo dos séculos dilaceraram e destruiram sistematicamente a grandeza das suas ruínas, ainda conseguiram chegar até nós vestígios de um passado maravilhoso que se bate em grandiosidade com a civilização egípcia.
Outra coisa que me impressionou foram as pessoas, milhares e milhares e milhões, por toda a cidade. Nem sítio havia onde pôr o pé. Na parte antiga, na parte nova, na zona turística, na zona não-turística. As pessoas nasciam do chão, as casas irrompiam por todo o lado, encavalitavam-se nas colinas, modernas, antigas, novas, velhas, ricas e pobres. A abundância de gente, a abundância de crianças e de jovens que as escolas traziam aos milhares diariamente para visitarem os monumentos. Um verdadeiro formigueiro humano. E eu senti FORÇA, MUITA FORÇA. Só queria que ela fosse um força benfazeja, mas tenho dúvidas.



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