quinta-feira, 20 de março de 2025

PAZ

A minha oliveira já foi bonsai. Um dia, libertei-a dos arames que lhe tolhiam as raízes e ela começou a crescer. Este ano tem muitas flores e está cheia de frutos. Vive na minha cozinha e qualquer dia não cabe lá. É a minha herança de paz, porque viverá muitos anos depois de mim, transplantada para um terreno.

Paz é a maior herança que podemos deixar às gerações futuras. A guerra gera o ódio entre os homens. Nós ainda estamos a recuperar das Aljubarrotas e dos 1640s. E ou nos entendemos todos ou esperamos por uma invasão de extraterrestres para sentirmos finalmente que todos somos iguais na forma, na fraqueza e na força, na alegria e na tristeza (isto até parece um casamento).
Fiquem-se com um excerto do Génesis: "E a pomba voltou a ele sobre a tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noé que as águas tinham minguado sobre a terra."




segunda-feira, 10 de março de 2025

DO HORROR!

 

Ligo a TV e estampa-se na minha frente o ALMIRANTE, pessoa que desconhecia, mas que me era referida com certeza certa de ser o próximo PR da República Portuguesa.
Invoco-vos, Tágides “minhas”! Para que não fiqueis ofendidas, invoco-vos, Tágides dos poetas lusitanos, nos quais não me incluo. Invoco-vos para conseguir transmitir o estupor que me invadiu ao ouvi-lo.
Que imagem usar: fábrica de clichés, dicionário do lugar-comum, repositório de banalidades, chatgpt do chavão (perdoa-me chatgpt), produtor em série de estereótipos? Tudo somado será que chega? Ó horror!
Cala-se o Almirante aparece o SEGURO! Segurai-me… Aqueles olhos reboludos, com a pálpebra semicerradas e uma expressão dolorosa de criança ferida. Todo ele ternura, todo ele paz, todo ele súplica. Lembram-se da imagem que aqui reproduzo? Era o Seguro em criança, já uma figura trémula, benéfica, amante, todo ele preocupado com os males da sociedade. Ó horror!
E de que falavam estes dois? Da inocência do Montenegro.
Ah, como fiquei comovida. Ainda não recuperei.