Em 2015 visitei Istambul. No regresso todos me perguntavam: "Então
gostaste da mesquita azul, do palácio Topkapı, da igreja de Santa Sofia,
da cisterna da Basílica, etc.? E eu ia dizendo: "Gostei muito." Mas,
realmente houve duas coisas que me impressionaram profundamente talvez
porque os viajantes nunca me tenham falado delas.
Uma foi o Museu de
Arqueologia de Istambul (parece que há vários). O que eu visitei fica
muito próximo da igreja de Santa Sofia. Impressionou-me
porque me deu uma visão diferente da História. O circuito: civilização
egípcia, civilização minoica, civilização cretense, civilização grega,
está de tal forma gravado em nós, que as grandes civilizações do Médio
Oriente ficam esbatidas. Neste Museu encarei o aspeto grandioso e
avançado da civilização assíria, dos aqueus, e doutros povos do Médio
Oriente cujo nome esqueci, a prodigiosa escrita cuneiforme, com as suas
tabuinhas de argila, repositório das sagradas histórias da Humanidade.
Histórias que a Bíblia repete. A majestade, o refinamento, a elaboração
destas civilizações que se desenvolveram no Médio Oriente é prodigiosa
e, apesar das guerras que ao longo dos séculos dilaceraram e destruiram
sistematicamente a grandeza das suas ruínas, ainda conseguiram chegar
até nós vestígios de um passado maravilhoso que se bate em grandiosidade
com a civilização egípcia.
Outra coisa que me impressionou foram
as pessoas, milhares e milhares e milhões, por toda a cidade. Nem sítio
havia onde pôr o pé. Na parte antiga, na parte nova, na zona turística,
na zona não-turística. As pessoas nasciam do chão, as casas irrompiam
por todo o lado, encavalitavam-se nas colinas, modernas, antigas, novas,
velhas, ricas e pobres. A abundância de gente, a abundância de crianças
e de jovens que as escolas traziam aos milhares diariamente para
visitarem os monumentos. Um verdadeiro formigueiro humano. E eu senti
FORÇA, MUITA FORÇA. Só queria que ela fosse um força benfazeja, mas
tenho dúvidas.
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