segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

HOMENAGEM A MINHA MÃE

AUGUSTA MARIA CABRAL

Vila Nova de Monforte, 21 de Dezembro de 1918 – Porto, 2 de Junho de 2009


Menina, Mãe, Avó, Bisavó Augusta Maria, 


Passeias agora de mão dada com o companheiro da tua vida, o teu José, no souto do teu pai. Os ramos fortes e largos dos castanheiros espalham a sombra tranquila. O chão está coberto de folhas e nos ouriços abertos espreitam as castanhas polidas. Junto ao tronco há cogumelos que tu sabes distinguir e vais apanhando e colocando na cestinha que trazes no braço. O teu irmão Manuel foi à caça e não tarda a chegar. Hoje haverá perdizes para o almoço.
Por entre a ramagem outonal e densa dos castanheiros brincam raios de sol. Ao longe adivinham-se os campos da Primavera cobertos de alfazema. A cerejeira, que o teu pai plantou, inclina os ramos, carregadinhos de cerejas, até ao chão.


Como estás feliz. O teu rosto de pele de veludo brilha ao sol, o verde
dos teus olhos irradia luz e o teu corpo,
finalmente liberto de dor, respira o ar livre da montanha onde nasceste. 


Apertas com mais força a mão do teu companheiro e olhas para trás os que te seguem, os teus filhos Nuno, Alzira, Rodrigo, Eurico e Jorge, os teus netos, Pedro, Joana, Ana, Marta, David e Clara, os teus bisnetos, Rafael, Rodrigo, Orane, Matilde, Francisco. Consegues ver ainda mais longe, os que virão daqueles que nasceram de ti.  

Hoje todos se vão sentar à mesma mesa e celebrar a Vida. Por isso sorris.

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