Vila Nova de Monforte, 21 de Dezembro de 1918 – Porto, 2 de Junho de 2009
Menina, Mãe, Avó, Bisavó Augusta Maria,
Passeias agora de mão dada com o companheiro da tua vida, o teu José, no souto do teu
pai. Os ramos fortes e largos dos castanheiros espalham a sombra tranquila. O chão está
coberto de folhas e nos ouriços abertos espreitam as castanhas polidas. Junto ao tronco há
cogumelos que tu sabes distinguir e vais apanhando e colocando na cestinha que trazes no
braço. O teu irmão Manuel foi à caça e não tarda a chegar. Hoje haverá perdizes para o almoço.
Por entre a ramagem outonal e densa dos castanheiros brincam raios de sol. Ao longe adivinham-se os campos
da Primavera cobertos de alfazema. A cerejeira, que o teu pai plantou, inclina os ramos, carregadinhos de cerejas, até ao chão.
Como estás feliz. O teu rosto de pele de veludo brilha ao sol, o verde dos teus olhos irradia luz e o teu corpo, finalmente liberto de dor, respira o ar livre da montanha onde nasceste.
Apertas com mais força a mão do teu companheiro e olhas para trás
os que te seguem, os teus filhos Nuno, Alzira, Rodrigo, Eurico e Jorge, os
teus netos, Pedro, Joana, Ana, Marta, David e Clara, os teus bisnetos,
Rafael, Rodrigo, Orane, Matilde, Francisco. Consegues ver ainda mais longe, os que
virão daqueles que nasceram de ti.
Hoje todos se vão sentar à mesma mesa e celebrar a Vida. Por isso sorris.
Hoje todos se vão sentar à mesma mesa e celebrar a Vida. Por isso sorris.
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