sábado, 26 de outubro de 2019

CONVERSA FRANCISCANA 2

Conversa franciscana
À sexta o Francisco vem tomar chá vermelho (Roiboos) e comer uma torrada. Depois as atividades são variáveis.
Começamos pelas histórias.
- Não, esta não. É uma história aos quadradinhos - digo eu.
- O que é uma história aos cagatinhos?
Lá explico e ele fica satisfeito com a explicação.
Depois seguem-se as marcas.
- Quero ver marcas de ar condicionado.
Sim, porque o Francisco tem uma verdadeira mania por marcas e agora chegou a vez do ar condicionado. Lá vou eu contrafeita.
Ei-lo que dispara para o quarto.
- Eu vou atrás de ti - digo eu.
- E eu vou à frente - conclui ele.
Depois começa a sessão: ver vídeos sobre instalação de ar condicionado.
- O que é lacre?
- O que é rebarbas?
- O que é tubulação?
- O que é conexões elétricas?
- Ó Francisco, a avó também não sabe.
- O que é elétrico?
- Tem a ver com a eletricidade.
- O que é eletricidade?
- É energia. O que dá luz e calor.
- E frio - acrescenta o Francisco
O vídeo chega ao fim.
- Olhó LG! - grita o Francisco.

terça-feira, 22 de outubro de 2019

SÃO LÁGRIMAS, SENHORES, SÃO LÁGRIMAS!

(Texto publicado em22 de Outubro de 2017, aquando dos célebres incêndios)
As lágrimas estão altamente quotadas no mercado nacional. Servem a emoção fácil, o sentimentozinho superficial e puxa-se delas a torto e a direito. Que ninguém se atreva a falar dos incêndios sem verter uma quantidade capaz de apagar uma fagulha.
Somos um país de lágrimas, poetas e fado. Somos um país de sentimento. Tudo muito triste, tudo muito melancólico e soturno. Mas isto limpa-nos a alma e uma vez choradas as lágrimas estamos quites com a nossa consciência.
O marquês de Pombal não era português. O homem não chorou quando houve o terramoto. Eu sei que não havia televisão para captar esse momento emocionante, mas os historiadores jamais o esqueceriam. ELE CHOROU! diriam. E se o tivesse feito, todos os outros pecados lhe seriam perdoados. Não chorou? Está feito. Queremos lá saber da reconstrução, queremos é légrimas, muitas, grandes, gordas, pesadas. Não interessa o que traduzem. São lágrimas, senhores, são lágrimas!

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

O FEÍSSIMO E RiDÍCULO EUCALIPTO

O FEÍSSIMO E RiDÍCULO EUCALIPTO (Texto escrito em Outubro de 2017)
No séc, XIX já se plantavam eucaliptos, em Portugal. Originária da Austrália, esta árvore, ao contrário do que afirma Zé Fernandes em "A Cidade e as Serras" pode ser de uma extraordinária beleza, passados muitos anos, quando envelhece e o seu tronco ganha uma largura considerável. De combustão muito fácil, atualmente é usada sobretudo para produzir pasta de celulose, usada no fabrico de papel, carvão vegetal e madeira.
O objetivo do plantação do eucalipto é hoje em dia puramente comercial. Pode, na minha opinião, ser plantado em locais muito vigiados pelos plantadores, como é óbvio, e por toda a comunidade. Creio que existem exemplos desses no norte do país.
A floresta deve ser constituída por uma grande diversidade de plantas. Mas não sou especialista no assunto e creio que teremos oportunidade de ouvir os especialistas sobre a matéria.
Uma coisa é certa nada impedirá que tudo arda em períodos de extrema secura e ventos fortes, se houver alguém que pegue fogo por acidente ou de propósito.
Vejam o que aconteceu nas zonas de Sonoma County e Napa County na Califórnia, este ano. Morreram 40 pessoas para já, porque ainda estão algumas desaparecidas, uma cidade destruída (Santa Rosa) e 100.000 pessoas evacuadas, mais de 5000 casas e empresas (a maioria hotéis, spas e restaurantes) arderam. Trata-se de uma zona altamente turística cheia de vinhedos. A árvore predominante é o carvalho.

terça-feira, 1 de outubro de 2019

A ETERNA LUTA DE SPARTACUS

Uma batalha perdida para a eternidade, a batalha dos oprimidos, dos usados, dos vendidos. A batalha daqueles que nasceram escravos e cujos filhos serão irremediavelmente escravos.
Esta luta contra a tirania pode ser virada e revirada, como o grão de milho que a galinha debica antes de engolir. Os filósofos irão concluir que afinal todos somos escravos ou, pelo contrário, nenhum de nós é escravo de outrem, mas apenas escravo de si próprio. Pelo meio haverá ainda as conclusões "intermédias", não só, mas talvez, as religiosas baseadas na resignação e ainda o chavão do costume : "A vida é asssim", que pode ou não estar relacionado com as anteriores.
Confesso que essas reflexões filosóficas são como aquele fardo de palha que nos barra o caminho. Na verdade há escravos que nascem escravos e que serão escravos para lá de todas as discussões filosóficas. E esses homens, mulheres e crianças espalhados por toda a Terra são também o lixo humano em que se embrulham as alterações climáticas.
Enquanto o Homem não "domesticar" as grandes corporações selvagens que trituram as mãos humanas e os recursos do planeta, Spartacus viverá a sua perpétua derrota.
E porque a ganância também existe nos escravizados este é um jogo muito difícil de vencer, tão semelhante à luta da vida contra a morte. A morte deixa sempre a sua raiz na alma e no corpo dos homens.
A minha esperança é a de que o número de lutadores pela causa do Homem (e não pela sua própria) vá aumentando. Dir-me-ão que essa foi também a esperança de Spartacus. E terei de concordar.