terça-feira, 22 de outubro de 2019

SÃO LÁGRIMAS, SENHORES, SÃO LÁGRIMAS!

(Texto publicado em22 de Outubro de 2017, aquando dos célebres incêndios)
As lágrimas estão altamente quotadas no mercado nacional. Servem a emoção fácil, o sentimentozinho superficial e puxa-se delas a torto e a direito. Que ninguém se atreva a falar dos incêndios sem verter uma quantidade capaz de apagar uma fagulha.
Somos um país de lágrimas, poetas e fado. Somos um país de sentimento. Tudo muito triste, tudo muito melancólico e soturno. Mas isto limpa-nos a alma e uma vez choradas as lágrimas estamos quites com a nossa consciência.
O marquês de Pombal não era português. O homem não chorou quando houve o terramoto. Eu sei que não havia televisão para captar esse momento emocionante, mas os historiadores jamais o esqueceriam. ELE CHOROU! diriam. E se o tivesse feito, todos os outros pecados lhe seriam perdoados. Não chorou? Está feito. Queremos lá saber da reconstrução, queremos é légrimas, muitas, grandes, gordas, pesadas. Não interessa o que traduzem. São lágrimas, senhores, são lágrimas!

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