Uma batalha perdida para a eternidade, a batalha dos oprimidos, dos usados, dos vendidos. A batalha daqueles que nasceram escravos e cujos filhos serão irremediavelmente escravos.
Esta luta contra a tirania pode ser virada e revirada, como o grão de milho que a galinha debica antes de engolir. Os filósofos irão concluir que afinal todos somos escravos ou, pelo contrário, nenhum de nós é escravo de outrem, mas apenas escravo de si próprio. Pelo meio haverá ainda as conclusões "intermédias", não só, mas talvez, as religiosas baseadas na resignação e ainda o chavão do costume : "A vida é asssim", que pode ou não estar relacionado com as anteriores.
Confesso que essas reflexões filosóficas são como aquele fardo de palha que nos barra o caminho. Na verdade há escravos que nascem escravos e que serão escravos para lá de todas as discussões filosóficas. E esses homens, mulheres e crianças espalhados por toda a Terra são também o lixo humano em que se embrulham as alterações climáticas.
Enquanto o Homem não "domesticar" as grandes corporações selvagens que trituram as mãos humanas e os recursos do planeta, Spartacus viverá a sua perpétua derrota.
E porque a ganância também existe nos escravizados este é um jogo muito difícil de vencer, tão semelhante à luta da vida contra a morte. A morte deixa sempre a sua raiz na alma e no corpo dos homens.
A minha esperança é a de que o número de lutadores pela causa do Homem (e não pela sua própria) vá aumentando. Dir-me-ão que essa foi também a esperança de Spartacus. E terei de concordar.
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