sexta-feira, 9 de outubro de 2020

A ANTI-CORRUPÇÂO É UMA ARMA

 Cai sempre muito bem na opinião pública, em especial na mais desfavorecida sobre todos os pontos de vista da rotunda variedade de factores que constituem um indivíduo, apresentar-se aos outros como arauto anti-corrupção.

Talvez porque tive uma educação fortemente católica, num ambiente de padres e de freiras, todos de grande notoriedade na época, figuras gradas e respeitadas, aprendi rapidamente que quanto mais o penitente justiceiro bate no peito e jura e trejura sobre a sua seriedade e honestidade bem como intenção de “limpar” a Terra ou a pátria dos corruptores pior é a descoberta da face oculta do penitente.

A experiência já nos permitiu, enquanto cidadãos, assistir a espectáculos que confirmam o que acabo de dizer. Estou a lembrar-me de Marinho Pinto e de um médico “sem fronteiras", cujo nome se varreu da minha memória, gente séria e que ia pôr tudo em pratos limpos.

A verdade é que o poder corrompe e quanto mais absoluto ele for mais probabilidade tem de corromper- A verdade é também que a época em que vivemos é um modelo double-face. E todos os salvadores das pátrias do mundo se têm revelado grandes salvadores dos seus próprios interesses, porque o poder limita-se a realçar a natureza escondida do indivíduo.

 Quer isto dizer que entendo que o poder deve cair na rua? De modo algum. Como cidadã procuro analisar o carácter daqueles a quem o vou atribuir. Posso enganar-me no meu juízo, mas é um risco que tenho de correr. No entanto, muitas vezes aconteceu que tive oportunidade de conhecer razoavelmente bem os candidatos ao poder. Aí foi mais fácil para mim aceitá-los ou recusá-los.

 É claro que não foi a minha opinião pessoal que decidiu do destino dos mesmos. Mas fiquei bem com a minha consciência.

 Para terminar esta divagação devo dizer que, para mim, um detentor do poder receber bilhetes de futebol para ir ver o Benfica, o Sporting, o F. C. Porto ou qualquer outro clube, receber uma tarte ou pudim de uma confeitaria da moda não me incomoda.  A corrupção é outra coisa.  E essa fica sempre escondida na sombra.

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