"Camille Claudel", um documentário, que passou na RTP2, sobre a genial escultora.
Um modelo de como não se deve fazer televisão. Um modelo de pedantismo serôdio.
Pretensamente erudito, cheio de música sacra, de fragmentos de uma peça de teatro (que talvez fosse interessante) mas totalmente descontextualizada, entre frases patéticas e hipócritas.
As mulheres, naquela época (finais do séc. XIX), não tinham direito a exprimir o seu génio e, embora o documentário quisesse redimir Rodin, a verdade é que ele foi um dos inimigos de Camille, sua ex-amante e rival artística. Rodin sentiu-se ameaçado pelo talento dessa mulher que não conseguiu transformar em eterna discípula e serva e pressionou o ministro de Belas Artes a cancelar os pagamentos das suas obras em bronze, condenando-a à miséria.
Camille era odiada pela família, pela sua piedosa mãe e pelo seu piedoso irmão, Paul Claudel. Mantiveram-na sem dinheiro, até a levarem à loucura. Depois, encerraram-na num hospital psiquiátrico onde viveu 30 anos, proibida de modelar, de esculpir, de se exprimir. Até ao extremo de a proibirem de escrever cartas. Um médico, o Dr. Brunet, ainda mandou uma carta à mãe de Camille pedindo que tentasse reintegrar a filha no convívio familiar, porque ela não estava louca, mas nunca recebeu resposta.
Camille era um gênio, mas era mulher e nunca conseguiu afirmar-se em vida. Apenas o seu pai a ajudava e compreendia. Morreu cedo e deixou-a exposta ao preconceito. As 90 peças da sua obra que lhe sobreviveram permitem-nos, graças a Deus, reconhecer o seu génio, apesar de Paul Claudel, apesar de Rodin.
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