terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

OS ESPECIALISTAS

 Este post é uma homenagem aos PROFESSORES. Como em todas as classes há alguns que não merecem ser referidos com letra grande, mas isso acontece em todas as classes profissionais.

O Professor é um semeador. Deita a semente à terra e gosta de a ver desabrochar. Imaginem um semeador no seu gesto bendito. Imaginem um campo. O campo pode ser de terra negra e fofa, de terra seca ou cheio de rochas.  Todos exigem esforço e o semeador precisa de se concentrar no trabalho. Agora imaginem de cada lado do campo um bando de gente com fisgas prontas a atirar pedras, armas de fogo, bombos de festa, numa gritaria infernal.

Os da fisga atiram pedras e gritam vai por outro lado. Os da pistola apontam aos pés do semeador para o obrigar a mudar o rumo. Os do bombo gritam sentenças sobre como se deve semear. Todos acham que o semeador não faz florescer as pedras, nem obtém grandes resultados no terreno ressequido porque não ouve as frases que lhe gritam nem segue o caminho que lhe sugerem. E semear é fácil, dizem eles. Estes são os especialistas.

Agrupam-se em camadas. Na camada superior temos aqueles que floresceram com os mestrados e doutoramentos nas chamadas Ciências da Educação. Este grupo subdivide-se nos que têm e continuam a ter experiência directa com os alunos e que afinal até percebem alguma coisa do assunto, e os que, atingido esse grau, nunca mais tiveram experiência com alunos ou, em verdade, nunca na vida a tiveram e apenas contactaram com alunos do ensino superior (na maioria das vezes, um contacto de terceiro grau). Para estes as facilidades da função do professor de qualquer nível de ensino são imensas e poderosas e na sua boca o professor é um verdadeiro prestidigitador.

Vem agora a segunda camada de especialistas. Os licenciados e doutorados noutras áreas, que também fizeram estudos, sabem falar e sabem escrever e, que raio! ensinar é uma tarefa que não mudou assim tanto. Por isso, também têm opinião sobre a matéria e ideias revolucionárias sobre o assunto. Peroram a toda a hora na televisão, na rádio, nos jornais. São assertivos, patetas e perigosos.

Vem finalmente a terceira camada, a dos bombos e da gritaria, ou seja, o resto da população. Porque ter opiniões sobre o que ensinar ou como ensinar toda a gente pode ter: os pais, os avós, os encarregados de educação, o merceeiro, o taxista, o motorista, o limpa-chaminés, o oftalmologista, o pediatra, o carpinteiro, o canalizador ou picheleiro, etc., etc.

No cartoon figuram apenas os especialistas da primeira camada.

SER PROFESSOR não é fácil. Refiro-me obviamente àqueles que o são e são muitos.




sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

CALENDÁRIO, MULHERES GORDAS E FUTEBOL

 

Pois hoje tive mesmo de fazer companhia ao  Francisco. Nas longas horas ele ia falando.

Francisco: O meu telemóvel tem um catálogo.

Avó: Um catálogo?

Francisco; Sim, mas não é como o do Natal.

Avó: Então?

Francisco: (Apontando a janela) É dos dias que passam. (Mostra-me um calendário)

Mais adiante, o Francisco oferece-me uma pulseira improvisada.

Avó: Não quero, Francisco.

Francisco: Porquê?

Avó: Por causa da doença. A doença não faz mal aos meninos pequeninos como tu, mas faz mal às velhotas como a avó.

Francisco: Tu não és velhota (Grande sorriso da avó), mas és gorda (Avó com a alma de rastos). Mas não és gorda como as senhoras que andam na rua. (Segue-se uma longa divagação sobre as mulheres gordas que conhece e as que viu num vídeo que tinham uma barriga, que me parecia que estavam grávidas. E vai por ali fora numa conferência sobre as mulheres gordas)

Mais adiante:

 Francisco: Queres ver futebol?

Avó: Uuuum…

Francisco liga a televisão e lá estamos nós num canal de desporto.

Avó: De que clube és?

Francisco: De todos.

Entusiasmado vai ao quarto e entra por ali adentro com uma bola a gritar que é o Ronaldo. Longa explicação sobre quem é o Ronaldo. Depois continua a jogar numa perspetiva crítica. Sempre que vai buscar a bola debaixo de uma cadeira:

Francisco: Não está bem. O futebol joga-se com os pés.