Este post é uma homenagem aos PROFESSORES. Como em todas as classes há alguns que não merecem ser referidos com letra grande, mas isso acontece em todas as classes profissionais.
O Professor é um
semeador. Deita a semente à terra e gosta de a ver desabrochar. Imaginem um
semeador no seu gesto bendito. Imaginem um campo. O campo pode ser de terra
negra e fofa, de terra seca ou cheio de rochas. Todos exigem esforço e o semeador precisa de
se concentrar no trabalho. Agora imaginem de cada lado do campo um bando de
gente com fisgas prontas a atirar pedras, armas de fogo, bombos de festa, numa
gritaria infernal.
Os da fisga atiram pedras
e gritam vai por outro lado. Os da pistola apontam aos pés do semeador para o
obrigar a mudar o rumo. Os do bombo gritam sentenças sobre como se deve semear.
Todos acham que o semeador não faz florescer as pedras, nem obtém grandes
resultados no terreno ressequido porque não ouve as frases que lhe gritam nem
segue o caminho que lhe sugerem. E semear é fácil, dizem eles. Estes são os
especialistas.
Agrupam-se em camadas. Na
camada superior temos aqueles que floresceram com os mestrados e doutoramentos nas
chamadas Ciências da Educação. Este grupo subdivide-se nos que têm e continuam
a ter experiência directa com os alunos e que afinal até percebem alguma coisa
do assunto, e os que, atingido esse grau, nunca mais tiveram experiência com
alunos ou, em verdade, nunca na vida a tiveram e apenas contactaram com alunos
do ensino superior (na maioria das vezes, um contacto de terceiro grau). Para
estes as facilidades da função do professor de qualquer nível de ensino são
imensas e poderosas e na sua boca o professor é um verdadeiro prestidigitador.
Vem agora a segunda
camada de especialistas. Os licenciados e doutorados noutras áreas, que também
fizeram estudos, sabem falar e sabem escrever e, que raio! ensinar é uma tarefa
que não mudou assim tanto. Por isso, também têm opinião sobre a matéria e
ideias revolucionárias sobre o assunto. Peroram a toda a hora na televisão, na
rádio, nos jornais. São assertivos, patetas e perigosos.
Vem finalmente a terceira
camada, a dos bombos e da gritaria, ou seja, o resto da população. Porque ter
opiniões sobre o que ensinar ou como ensinar toda a gente pode ter: os pais, os
avós, os encarregados de educação, o merceeiro, o taxista, o motorista, o
limpa-chaminés, o oftalmologista, o pediatra, o carpinteiro, o canalizador ou
picheleiro, etc., etc.
No cartoon figuram apenas
os especialistas da primeira camada.
SER PROFESSOR não é
fácil. Refiro-me obviamente àqueles que o são e são muitos.

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