quinta-feira, 15 de abril de 2021

HERMAN JOSÉ, O PROFETA OU O VISIONÁRIO

 



Muitos Portugueses (senão todos) se riram com as personagens dos shows do Herman José: do diácono Remédios, passando pela Maximiana, o José Esteves, o Melga, o Tony Silva, a Filipa Vasconcelos, a Marilu, a fadista Dona Maria Francisca Calçada Pardoca de Carriche, o Nelo (e Idália), etc. etc., a tantas outras caricaturas a traço grosso da realidade lusa.

Não pensávamos que as caricaturas se transformassem em realidade e o nosso quotidiano fosse invadido por elas. Não pensávamos que as íamos encontrar na rua ou a falarem em programas "sérios" de televisão.

Por isso, o Herman José perdeu ao audiência. Que significado tem um José Esteves quando qualquer talk show futebolístico tem um conjunto de José Esteves, a Marilu se senta no café ao nosso lado e as suas conversas são decalcadas da personagem televisiva, o Melga não pára de melgar, o Tony Silva multiplicou-se por 1000 e há dinheiro para todos? De resto os meus leitores facilmente farão a transposição entre a caricatura e a realidade.

Sim, somos assim, irremediavemente provincianos. Só nos falta tomar o chá de luvas. Portugal tornou-se num Herman show.

terça-feira, 6 de abril de 2021

SOBRE OVELHAS E CABRAS E RESPETIVAS FAMÍLIAS

ETIMOLOGIA

Uma parte destes dados baseia-se no Atlas Linguístico da Península Ibérica, de Luís Filipe Lindley Cintra e Otero Alvarez.

 Os três nomes para a cria de carneiro e ovelha:

anho, do latim agnus 

cordeiro, do latim vulgar cordarius (ou chordariu), derivado de cordus (ou chordu), “tardio”, “tardio em nascer”, porque os agni cordi eram os cordeiros nascidos tardiamente, em fevereiro em vez de novembro ou dezembro. 

borrego deriva de borra, “lã grosseira”, do latim tardio burra ou burru, através do castelhano borrego

Estes nomes variam de acordo com a região do país. Na Beira Alta diz-se “anho”.

Ovelha, do latim ovicula, diminutivo de ovis, portanto “ovelhinha”.

Carneiro, do latim “carnariu, “de boa carne”.

Cabra, do latim "capra".

Cabrito, diminutivo de “cabra”, cria do bode e da cabra.

Bode, palavra de origem incerta, o macho da cabra, também chamado cabrão.

Bode expiatório, o bode que, na festa das expiações, os judeus expulsavam para o deserto, depois de o terem carregado com as maldições que queriam desviar do seu povo.

A FAMÍLIA DA OVELHA E A DA CABRA

Enquanto a família da ovelha é um símbolo de pureza (agnus dei, a ovelha do presépio, tudo brancura e inocência) ou de riqueza (o carneiro), a desgraçada família da cabra tem não só o cabrão, como o bode expiatório, como está associado em diferentes culturas às forças da “libido”, logo malignas, ligadas com o demónio e a feitiçaria (A Dama de Pé de Cabra, de Alexandre Herculano, os judeus em Gil Vicente e não só, etc.)

Sobre o bode podia escrever-se um tratado. As forças da libido sempre foram mal vistas pelos puros, embora sejam elas que nos ligam à vida.

Deixa lá, CABRA! Resistente e heroica CABRA, eu sou CABRAL como tu.  

 



 

quinta-feira, 1 de abril de 2021

O INVENTOR DA RODA

Ele é a síntese da banalidade, o génio do lugar-comum, o inventor da roda, o homem que nos conta as novidades do ano passado como se fossem um "furo" jornalístico que ele conseguiu, o homem que nos quer maravilhar com a sua ciência de almanaque.

Ele tem um grande número de seguidores que se sentem ofuscados com tanta "sabedoria", que o veneram e beijam o chão que pisa, o que nos deixa sem fé alguma na Humanidade.