2000, entrada de mais um século.
Muito se escreveu no patamar e na entrada deste novo século. Os profetas,
astrólogos e outros humanos clarividentes saudaram o nascimento da era do Aquário
com todas as maravilhas e grandezas que ela arrastaria. O Homem do 21 seria azul,
fraterno e pacífico.
De santo, poeta e louco todos nós temos um pouco. Por isso, passados 21
anos sobre essa majestosa entrada de mais um túnel do corredor do tempo,
atrevo-me a comparar este século 21 com uma nova Idade Média, na esperança de que,
sob esta capa de mediocridade, violência e fanatismo, forças de luz (linguagem
esotérica) e de sabedoria (bis) estejam a fermentar e um novo Renascimento artístico
e cultural desabroche. Pois nesta grande paisagem feita de fragmentos e de lixo,
a qualidade e a beleza estão soterradas sob a intransigência, a obstinação, a cegueira
e a ambição do lucro que ergue em altares bezerros de oiro e queima na fogueira
os arautos de um tempo que há-de vir. O som ensurdecedor das palmas contrasta
com a fímbria do silêncio dos que não ousam nem podem fazer frente a esta onda
gigante.
Qual será a nova Itália que nos trará essa Renascença? Que Galileu será obrigado a negar o seu
pensamento? Que escribas e iluministas continuam seu trabalho em recônditos
lugares onde não chegam os jornais, as televisões, nem a internet? Ou será a
rede virtual que liga os homens de todos os credos o seu veículo?
Não sei responder. Mas estou certo que ela está em gestação e desabrochará
quando de nós só restar o pó.
Onde recolhi esta informação? Na minha bola de cristal, pois claro.
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