Ontem ao rever mais um episódio das "Inesquecíveis viagens de comboio", voltei à Colômbia. Já lá tinha estado, mas um pouco distraída.
A Colômbia, esse país de má fama, do narcotráfico, dos gangues e dos ladrões, o lado que nós conhecemos e que nos é vendido com meticuloso afã.
A Colômbia, um país de gente trabalhadora, que planta café e bananas em íngremes e deslizantes encostas, que transporta às costas fardos pesadíssimos, que calcorreia quilómetros, que vive subjugado pelo gigante americano que lhe suga a riqueza, o trabalho e o suor, tal como outrora a cristianíssima Espanha destruiu a sua cultura e pilhou as suas terras.
Phillipe não consegue perceber o amor que os colombianos continuam a dedicar a Paulo Escobar. Mas eu acho que os compreendo, apesar de todos os crimes que a traficância de droga provocou. Ele fez frente ao estrangeiro, ele esteve muitas vezes ao lado desta gente pisada e sofredora. E mais ninguém fez isso.
A grandeza dos incas sobreviveu na arte e neste magnífico povo. Quando comeres uma banana da Colômbia, quando beberes uma chávena de café da Colômbia, lembra-te desta gente que dobra "a espinha" e transforma o corpo em guindaste para que te delicies com os seus sabores, degustes as suas ostras cantantes, e ostentes as suas cristalinas esmeraldas.
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