sexta-feira, 13 de outubro de 2023

E, NO ENTANTO, AMBOS “FALAM DO SEU PRÓPRIO TEMPO

 

"Um teatro, uma literatura, uma expressão artística que não fale do seu próprio tempo não tem relevância." Dario Fo

 

Quem sou eu para contrariar o teu ímpeto revolucionário, ó Dario, mas, para mim, tudo fala do "seu próprio tempo", nem que seja através da mediocridade ou da banalidade. A literatura de cordel, os textos gongóricos e inflamados do séc. XIX (e não só), o Dantas, os dantinhas e os dantescos, as telas poeirentas e esquecidas, as partituras que as traças vão devorando ou já devoraram, o teatro das feiras e do adro das igrejas, tudo fala da sua época.

 

Pois tudo que o ser humano produz, e que é ou pretende ser arte, espelha uma vivência, uma inspiração, um desejo de comunicar, uma vaidade, ou um pedido de ajuda.

 

Conhecida ou ignorada, a produção “artística” de uma época traduz a realidade de uma forma subtil, mordaz, incisiva, ou sem força ou interesse, mas nela tanta informação sobre uma comunidade, uma cultura, um lugar, um período no tempo.

 

O mérito de um legado requer o reconhecimento dos que o observam, dos que o analisam, promovem ou ignoram.  Só alguns conseguem atingir o alvo com tal impacto que permanecem e cabem na tua frase, Dario.

 

Mas se muitos alcançam relevância mesmo que assente na mediocridade, (morra o Dantas! Pim!), outros vivem na obscuridade apesar do brilho do que produzem. Talvez venham a ser descobertos mais tarde, ou não. Não é verdade, ó Vincent?

 

E, no entanto, ambos “falam do seu próprio tempo”, ó se falam!

 

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