A senhora mora numa Junta de Freguesia lisboeta, com muito comércio e escritórios, aonde a EMEL ainda não tinha chegado e isso deixava-a desesperada. Caminhava para a Junta de freguesia e fazia um pé de vento, exigindo que a sua reivindicação fosse atendida, moveu céus e terra, convencida que uma vez a EMEL instalada ia ter um lugar de estacionamento privativo.
A EMEL chegou finalmente.
Agora a denodada senhora tem sempre o carro na garagem.
— Nunca tenho lugar. Quando
há um lugar, aparece sempre alguém e eu não posso sair para lado nenhum, só à
noite e mesmo à noite é difícil.
— Ah, pois é. A quem o
diz.
Esta outra rotunda senhora
mais o estimado marido, ambos velhos a cair da tripeça. estavam hoje radiantes.
Na Note do Fonte Nova ofereciam champanhe e marisco a quem quisesse celebrar
com eles a demissão do Governo de António Costa, convencidos que a inflação vai
acabar, os médicos e todo o pessoal de saúde vão ter aumentos supimpas e
horários fantásticos, um fila interminável de empregos vai surgir, os
professores vão subir tantos escalões que correm o risco de pousar numa nuvem,
a ordem vai reinar, os imigrantes não põe cá mais o pé, a TAP vai ser sucesso,
as casas vão ser baratas para quem as alugar, se forem eles os inquilinos, mas
caras se forem os proprietários, os bancos vão distribuir os lucros pelos
clientes, enfim…
— A pouca vergonha vai
acabar!
— Ah, pois vai! A quem o
diz,
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