terça-feira, 29 de outubro de 2024

REVISÃO CURRICULAR AVANÇA JÁ NO PRÓXIMO ANO LETIVO

Estando a ler no DN o artigo com este título, detive-me, em especial, na revisão do currículo de Português, Língua Materna, embora o artigo do DN dê particular ênfase ao ensino da História, o que poderá fazer sentido, mas nunca lecionei esta disciplina e ignoro os seus problemas específicos. É certo que há muitos anos atrás, segui um aluno do Secundário (então numa escola em que se testavam novos programas) e fiquei encantada com o que aprendi sobre a forma de olhar os acontecimentos numa perspetiva sincrónica e global. Neste nível etário e de ensino, a História (século XX) era então abordada nessa perspetiva, apresentando todos os factos e situações que ocorriam na Europa e no mundo, num corte transversal que permitia perceber como se relacionavam entre si.

Sobre o ensino do Português realço a opinião de Paulo Guinote que transcrevo em parte “(é preciso) ... uma visão mais prática do ensino da língua mais centrada na escrita criativa. Bem sei que vou ser acusado de reacionário por muitos académicos especialistas, mas sendo prático, acho que é preciso voltar ao hábito da “redação temática”, que organiza o pensamento e promove flexão e criatividade.” Resumindo, ESCREVAM, PORRA!

Segui o percurso curricular dos meus netos mais velhos, muitas horas dedicadas a conteúdos gramaticais de difícil nomenclatura e utilidade nula. E escrever, népia… Até acho que certas noções gramaticais são absolutamente necessárias, para explicar a falta de correção de um texto. Os Picassos da escrita nascem de uma aprendizagem leve, solta e constante.

Também João Pedro Aido, presidente da Associação do Professores de Português, refere um reforço da escrita criativa nos ensinos básico e secundário e ainda aponta para “um ensino da literatura menos académico e tradicional (porque) cristalizar o texto literário em conteúdos programáticos não leva os alunos a lerem obras nem a fazerem apreciações críticas pessoais.” Defende ainda “uma maior liberdade de escolha dos autores a estudar, uma lista maior e mais atualizada…”

Nem imaginam como concordo com esta liberdade de escolha de autores. Farta de ver crianças e adolescentes vacinados contra a leitura porque lhes impingem umas obras muito literárias, de autores nacionais que “temos de respeitar” e as editoras precisam de vender. A custo, lá foram entrando alguns autores estrangeiros, mas nenhuma preocupação com aquilo que se escolhe para o aluno ler. Está no programa, catrapuz, vai comprar. Se lês ou não isso aí já não é importante. É preciso que a editora venda.

Por favor, arranjem estratégias e textos que permitam aos alunos descobrir que ler um livro pode ser uma aventura. Arranjem professores também e sobretudo soltem-se, carago!




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