Estando a ler no DN o artigo
com este título, detive-me, em especial, na revisão do currículo de Português,
Língua Materna, embora o artigo do DN dê particular ênfase ao ensino da
História, o que poderá fazer sentido, mas nunca lecionei esta disciplina e
ignoro os seus problemas específicos. É certo que há muitos anos atrás, segui
um aluno do Secundário (então numa escola em que se testavam novos programas) e
fiquei encantada com o que aprendi sobre a forma de olhar os acontecimentos
numa perspetiva sincrónica e global. Neste nível etário e de ensino, a História
(século XX) era então abordada nessa perspetiva, apresentando todos os factos e
situações que ocorriam na Europa e no mundo, num corte transversal que permitia
perceber como se relacionavam entre si.
Sobre o ensino do Português
realço a opinião de Paulo Guinote que transcrevo em parte “(é preciso) ... uma
visão mais prática do ensino da língua mais centrada na escrita criativa. Bem
sei que vou ser acusado de reacionário por muitos académicos especialistas, mas
sendo prático, acho que é preciso voltar ao hábito da “redação temática”, que
organiza o pensamento e promove flexão e criatividade.” Resumindo, ESCREVAM,
PORRA!
Segui o percurso curricular
dos meus netos mais velhos, muitas horas dedicadas a conteúdos gramaticais de
difícil nomenclatura e utilidade nula. E escrever, népia… Até acho que certas
noções gramaticais são absolutamente necessárias, para explicar a falta de
correção de um texto. Os Picassos da escrita nascem de uma aprendizagem leve,
solta e constante.
Também João Pedro Aido,
presidente da Associação do Professores de Português, refere um reforço da
escrita criativa nos ensinos básico e secundário e ainda aponta para “um ensino
da literatura menos académico e tradicional (porque) cristalizar o texto literário
em conteúdos programáticos não leva os alunos a lerem obras nem a fazerem
apreciações críticas pessoais.” Defende ainda “uma maior liberdade de escolha
dos autores a estudar, uma lista maior e mais atualizada…”
Nem imaginam como concordo com
esta liberdade de escolha de autores. Farta de ver crianças e adolescentes
vacinados contra a leitura porque lhes impingem umas obras muito literárias, de
autores nacionais que “temos de respeitar” e as editoras precisam de vender. A
custo, lá foram entrando alguns autores estrangeiros, mas nenhuma preocupação
com aquilo que se escolhe para o aluno ler. Está no programa, catrapuz, vai
comprar. Se lês ou não isso aí já não é importante. É preciso que a editora
venda.
Por favor, arranjem
estratégias e textos que permitam aos alunos descobrir que ler um livro pode
ser uma aventura. Arranjem professores também e sobretudo soltem-se, carago!
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