quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

TUDO O QUE IMAGINAMOS COMO LUZ

 

Para mim este filme é poesia: realista e lírico, feito de fragmentos de vida que se perdem numa grande cidade. É Bombaim, mas podia ser qualquer grande metrópole. São três mulheres, mas o filme não pretende ser um testemunho da dureza da vida dessas mulheres ou uma denúncia. É mais. Não quer provar nada e essa ausência de pragmatismo revolucionário fez-me sentir próxima daquelas vidas, daquela cidade, daquele ambiente noturno onde milhares de janelas iluminadas criam um firmamento terrestre, um céu virado ao contrário, negro e coalhado de luzes.
Poesia são essas luzes, esses anseios, esse fluir dos dias, esses sonhos e o som do mar que nos fustiga e embala. É a Índia, mas é mais do que isso, porque não se trata de folclore ou de denúncia, mas de vida e de tudo o que imaginamos como luz em qualquer sítio deste planeta.
Luz que encheu os meus olhos de lágrimas.



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