quinta-feira, 1 de maio de 2014

A PROVA DO PORTUGUÊS DO 4º ANO, NO ANO DA GRAÇA DE 2013

Estou a pensar na prova (exame de Língua Portuguesa) que os alunos do 4º ano fizeram na passada terça-feira. Não vou discutir agora a minha posição em relação ao exame propriamente dito, à data e local de realização. Vou discutir o conteúdo da prova. Poucas vozes ouvi a insurgirem-se contra o teor da mesma. Pelo contrário, algumas mães e pais pouco esclarecidos (opinião minha) até disseram que os filhos tinham achado o teste fácil. Ao ouvir estas declarações penso para com os meus botões que a ignorância grassa e a indiferença também. Passo a explicar. 

O exame do quarto ano abria com um texto informativo, concretamente uma notícia sobre uma pesquisa submarina que teve lugar ao largo das Berlengas, para observar fauna e flora submarinas. Ocupava uma página A4.
A pesquisa foi conduzida por uma bióloga com um nome fora de vulgar Estilabiz Berecibar, integrada no projeto Marbis. Nada tenho contra o nome da senhora nem do projeto, mas alguns alunos sentiram-se logo noutro planeta ao tentar ler estes nomes em especial o da bióloga. Agora, vamos ver quantos números são referidos na longa notícia, 29 cientistas mergulhadores, 18 a 30 de setembro, criado em 2007, 25 metros de altura, 64 mergulhos, 195 horas...., 35 metros de..., 10000 registos, 120 novas espécies, de novo 10000 registos, 30000 já existentes, 2010, 2011. São ainda referidas as ilhas Selvagens, as ilhas Desertas, a ilha de Porto Santo e a de Santa Maria, os ilhéus das Formigas e de novo o projeto Marbis (que eu não conhecia, porque não frequento o quarto ano). Um texto realmente informativo. Não podia conter mesmo mais informação a não ser que se transformasse num gráfico o que tornaria a leitura muito mais simples. 


Primeira questão "Ordenar 5 afirmações de acordo com a sequência do texto". A sequência de um texto deste tipo nada tem a ver com a sequência do texto narrativo (falamos de alunos de 9 e 10 anos) balizado por acções que se desenrolam no tempo. Por isso, tive de ler três vezes o texto à pesca "submarina" da tal ordem das afirmaçõe. Completar uma frase "A expedição ao arquipélago das Berlengas...", seguiam-se 4 hipóteses todas com uma redação subtil e diversa com o objetivo de indicar o ano em que teve lugar a expedição. E agora peço aos que tiverem paciência para me ler, que vão ao site do GAVE e cliquem no enunciado da prova e vejam as hipóteses que são colocadas às crianças. Também fiz. Desta vez voltei a ler atentamente o texto até ao fim. Porque no fim está a solução. Alguns alunos vão acertar porque conseguiram ler, muitos porque puseram a cruzinha tal como eu preencho um boletim de totoloto. Contudo tenho dúvidas porque uma data (errada para completar a frase) brilhava como uma estrela e era a primeira que o texto referia. Segue-se outra pergunta de cruzinhas em que os números assumem de novo papel preponderante e, finalmente, o pedido de uma opinião sobre a importância deste tipo de expedições. Estou certa que nenhum aluno deu a resposta certa, ou seja, "Este tipo de expedições é feito para dar origem a uma notícia que, por sua vez será altamente informativa, com muitos nomes difíceis, datas e números, para um(a) professor(a) incompetente, que nunca teve 9 ou 10 anos e que nunca fez uma exame da quarta classe, pôr no teste final do exame do quarto ano e, depois, haver senhores comentadores (estou a lembrar-me do oráculo Medina Carreira) que dizem que os alunos são uns ignorantes e os professores uns incompetentes.

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