terça-feira, 1 de março de 2016

A BACTÉRIA OU A BATERIA

Hoje encontrei uma vizinha no supermercado. Senhora idosa, dinâmica e muito católica. Dedica o seu tempo a fazer saquinhos para obras de caridade, embora já tivesse tido um desaguisado com o pároco por causa dos ditos saquinhos. Em suma, é uma pessoa conservadora que em termos ideológicos não se mexeu meio milímetro desde que começou a ter opiniões sobre o mundo. Poucas mas inabaláveis.

Pediu-me boleia e logo a começar a conversa veio a talhe de foice ela dizer-me esta frase lapidar: "Vamos lá, que, agora, por causa do acordo ortográfico a bactéria já se transformou em bateria". E eu (expressão facial) "!!!!!!!"

Logo ali a senhora recebeu uma lição sobre o tal acordo e, após várias explicações, compreendeu, assim o penso, que entre uma bactéria e uma bateria não há nada em comum, salvo se a referida bateria estiver infetada com os minúsculos bichinhos. 

"Ah! e a gramática também mudou. Já nem sei como falar". "Pois exatamente como falava até aqui, porque o acordo não mudou a maneira de falar e tocou ao de leve na maneira de escrever. Quanto à nova nomenclatura gramatical ela nada tem a ver com o acordo."

Mas, fazendo uma longa conversa curta, expliquem-me a mim que sanha é esta contra o acordo. Esta vizinha debitava uma série de aldrabices que lhe tinham metido na cabeça. Expliquem-me, porque devo ser eu a única que não percebe.

Moral da história: "A senhora continue a escrever como sempre escreveu porque isso não impede ninguém de a entender. O que eu não entendo são as calinadas constantes que aparecem escritas na televisão. Isso não compreendo. E nada têm a ver com o acordo ortográfico. Santa ignorância."

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