A BACTÉRIA OU A BATERIA
Hoje encontrei uma vizinha no
supermercado. Senhora idosa, dinâmica e muito católica. Dedica o seu
tempo a fazer saquinhos para obras de caridade, embora já tivesse tido
um desaguisado com o pároco por causa dos ditos saquinhos. Em suma, é
uma pessoa conservadora que em termos ideológicos não se mexeu meio
milímetro desde que começou a ter opiniões sobre o mundo. Poucas mas inabaláveis.
Pediu-me boleia e logo a começar a conversa veio a talhe de foice ela
dizer-me esta frase lapidar: "Vamos lá, que, agora, por causa do acordo
ortográfico a bactéria já se transformou em bateria". E eu (expressão
facial) "!!!!!!!"
Logo ali a senhora recebeu uma lição sobre o
tal acordo e, após várias explicações, compreendeu, assim o penso, que
entre uma bactéria e uma bateria não há nada em comum, salvo se a
referida bateria estiver infetada com os minúsculos bichinhos.
"Ah! e a gramática também mudou. Já nem
sei como falar". "Pois exatamente como falava até aqui, porque o acordo
não mudou a maneira de falar e tocou ao de leve na maneira de escrever.
Quanto à nova nomenclatura gramatical ela nada tem a ver com o acordo."
Mas, fazendo uma longa conversa curta, expliquem-me a mim que sanha é
esta contra o acordo. Esta vizinha debitava uma série de aldrabices que
lhe tinham metido na cabeça. Expliquem-me, porque devo ser eu a única
que não percebe.
Moral da história: "A senhora continue a
escrever como sempre escreveu porque isso não impede ninguém de a
entender. O que eu não entendo são as calinadas constantes que aparecem
escritas na televisão. Isso não compreendo. E nada têm a ver com o
acordo ortográfico. Santa ignorância."
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