terça-feira, 1 de março de 2016

CONFUNDINDO MEDIDAS SOCIAIS COM MEDIDAS PEDAGÓGICAS

Claro que o que Carlos Neto defende é justo e a conclusão natural a que chegaram os países mais ricos. Para que isso aconteça, entre nós, precisamos de viver num país onde os salários permitam aos pais esse tempo de fruição, onde os empregados não sejam, na sua grande maioria, escravos. 
 
A medida do nosso atual governo no sentido de permitir aos alunos mais tempo na escola tem um carácter pragmático e não se pode fazer dela uma leitura de grande ou pequeno alcance pedagógico. 
 
As escolas devem poder acolher as crianças e os adolescentes cujos pais têm horários abusivos, ou diferentes do padrão habitual, as crianças ou adolescentes de famílias monoparentais cuja mãe, pai ou avós não conseguem trazê-los cedo para casa, etc. Por outro lado, esta medida irá diminuir a taxa de desemprego entre profissionais da educação. Para lá disso discutir se os alunos devem ou não estar mais tempo na escola é abusivo e bacoco. Deve discutir-se sim a escola, e o que entendemos por escola. E deve também lutar-se, como este governo está a tentar, por um país mais justo em que a dignidade do trabalho seja reposta. E isto não é tarefa nem fácil nem instantânea.

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