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sábado, 27 de outubro de 2018

O REGRESSO DO DOUTOR OX


Não sei se tiveram oportunidade de ler este conto de Júlio Verne que dava nome a um livro onde se podiam ler mais dois os três contos (já não me lembro) do mesmo autor. Posso deixar aos meus escassos leitores a curiosidade de fazerem essa leitura quando tiverem oportunidade.
As "profecias" de Júlio Verne têm vindo gradualmente a concretizar-se. A do conto que refiro também parece ir pelo mesmo caminho. O mundo atual comporta-se como se um ou vários doutores OX estivessem a lançar para a atmosfera gases que enlouquecem as pessoas. Serão os famosos "chem trails" ou, à portuguesa, "os rastos químicos deixados por aviões?
Nenhum de nós receava o regresso do doutor Ox porque a Humanidade já sofreu tanto com guerras e pilhagens que todos pensávamos que os homens tinham aprendido.
Não, não aprenderam. Porra, que eu tanto queria deixar um mundo limpo e seguro para os meus netos, bisnetos e por aí fora viverem!! Mas receio que não.
Publicada por Maria Cabral à(s) 01:22 Sem comentários:
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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O EFEITO CARBONARO E AS ELEIÇÕES BRASILEIRAS


Nunca ouviu falar deste fenómeno, caro leitor? Pois fique sabendo que é o fenómeno do momento. Todos os dias, por volta das 20 horas, na SIC Radical.
Trata-se de um programa tipo Apanhados (calma, leia até ao fim), com uma mistura de ilusionismo, apresentado pelo jovem Michael Carbonaro. Fascinante!
Fascinante pelos truques mirabolantes com que o Carbonaro ilude os clientes (passa-se numa qualquer loja: de brinquedos, de roupa, de sapatos, drogaria, etc.) mas ultrafascinante pelo discurso científico que o jovem usa para convencer o atónito e perdido espectador, apanhado no seu truque. O iludido fica perplexo entre a dúvida e a aceitação final de fenómenos totalmente impossíveis, explicados por um discurso em que os termos técnicos são abundantes e parecem autênticos.
Dir-me-á que se trata de pessoas iletradas, (e são realmente a fatia predominante) pessoas do dia a dia, empregados que receiam ser despedidos, o americano que tem mesmo carinha de apoiar a NRA, a dona de casa, mas também a professora, a psicóloga, em suma, aqueles somos nós.
E o que torna FASCINANTE este programa é ver a facilidade com que NÓS somos convencidos, face a um discurso pretensamente erudito, pretensamente científico ou pretensamente ético.
Esse é o discurso que lemos (espero que ler seja o termo adequado) sem qualquer espírito crítico na Internet, nos jornais, nas revistas. Esse é o discurso que leva tantos "intelectuais" a publicarem textos do tipo "santinhos" e atribui-los a escritores que nunca poderiam ter escrito aquilo. As pessoas que os publicam estão convencidas dessa e doutras verdades e os que os lêem ainda mais porque trazem certificado de garantia.
Esse é o discurso mais fácil para o ouvinte porque é rápido e não exige esforço, nem precisa de contraditadório.
Inclui a facilidade e o facilitismo com que tudo se resolve e que, em meia dúzia de frases pomposas, põe na ordem os desordeiros, castiga os maus, abençoa os bons, refaz o mundo e o torna perfeito.
Dele faz parte a frase "os políticos são todos iguais", sempre dita com um tom de quem atingiu a verdade plena, a irrefutável realidade, a frase que apela, com um sucesso imenso, à inércia, ao absentismo, ao egoísmo, ao "quero lá saber", que dá jeito sempre às formas mais torpes de governação.
Espantado com os resultados das eleições brasileiras? Não esteja. Infelizmente também nós contribuimos para essa desgraça, desde os tempos colonialistas, em que o Imperador imperava, e o saloio das berças portuguesas se tornava no senhor de muitas terras e escravos, até aos dias de hoje em que a emigração brasileira, em Portugal, apresenta um nível de ignorância atroz, que achamos muito interessante, porque nos dá jeito.
Os ricaços que vêm visitar a Europa, gozar dos seus milhões, comprar uma casa por bom preço e cuja indiferença pelos outros, bem como a ignorância literária, científica, artística é gritante votaram Bolsonaro porque só ele lhes garante o número de criados, de babás, de motoristas e de milhões a que estão há muito habituados. Os infelizes que vêm à procura de melhor vida, ganhar uns carcanhois votaram por Bolsonaro porque trazem o peso dos séculos de obscurantismo e de medo sobre as suas cabeças. Os traficantes e negociantes de visão imediata e indiferença total pela vida dos outros votaram bolsonaro porque nele se reencontram. Os que vêm à procura de um canudo, que se consegue com umas trocas de favores votaram bolsonaro no regresso à pátria porque já estão servidos.
Os brasileiros são todos assim? Não! Não são. Têm gente pensante, uma massa crítica que luta desatinadamente para que a má sorte não se abata sobre eles. A essas mulheres e homens de boa vontade, eu desejo de todo o coração que a sua luta seja recompensada na votação final, e que depois continuem a lutar para trazer o Brasil até ao que de melhor existe no séc. XXI (pouca coisa, mas de muita qualidade). Um abraço, irmãos.
Publicada por Maria Cabral à(s) 02:45 Sem comentários:
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TUDO É ABSOLUTAMENTE RELATIVO


"Um teatro, uma literatura, uma expressão artística que não fale do seu próprio tempo não tem relevância."
 Dario Fo


Às vezes penso que tudo fala do "seu próprio tempo", nem que seja através da mediocridade ou através da banalidade da obra.
Todos nos situamos numa determinada camada da sociedade de uma época e aquilo que produzimos espelha mais ou menos bem uma vivência. O que pode é exprimi-la com acutilância ou sem qualquer força ou interesse.
Mas essa acutilância tem de ser reconhecida pelos que observam a obra e há muitas formas de promover e muitas formas de ignorar.
Só realmente alguns conseguem atingir o alvo com tal impacto que permanecem.
Contudo, muitos vivem uma vida de sucesso, assente na mediocridade. Morra o Dantas! Pim!
Outros vivem na obscuridade apesar do brilho do que produzem. Talvez venham a ser descobertos mais tarde, ou não. Não é verdade, ó Vincent?




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Publicada por Maria Cabral à(s) 02:43 Sem comentários:
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O FEÍSSIMO E RiDÍCULO EUCALIPTO


No séc, XIX já se plantavam eucaliptos, em Portugal. Originária da Austrália, esta árvore, ao contrário do que afirma Zé Fernandes em "A Cidade e as Serras" pode ser de uma extraordinária beleza, passados muitos anos, quando envelhece e o seu tronco ganha uma largura considerável. De combustão muito fácil, atualmente é usada sobretudo para produzir pasta de celulose, usada no fabrico de papel, carvão vegetal e madeira.
O objetivo do plantação do eucalipto é hoje em dia puramente comercial. Pode, na minha opinião, ser plantado em locais muito vigiados pelos plantadores, como é óbvio, e por toda a comunidade. Creio que existem exemplos desses no norte do país.
A floresta deve ser constituída por uma grande diversidade de plantas. Mas não sou especialista no assunto e creio que teremos oportunidade de ouvir os especialistas sobre a matéria.
Uma coisa é certa nada impedirá que tudo arda em períodos de extrema secura e ventos fortes, se houver alguém que pegue fogo por acidente ou de propósito.
Vejam o que aconteceu nas zonas de Sonoma County e Napa County na Califórnia, este ano. Morreram 40 pessoas para já, porque ainda estão algumas desaparecidas, uma cidade destruída (Santa Rosa) e 100.000 pessoas evacuadas, mais de 5000 casas e empresas (a maioria hotéis, spas e restaurantes) arderam. Trata-se de uma zona altamente turística cheia de vinhedos. A árvore predominante é o carvalho.
Publicada por Maria Cabral à(s) 02:40 Sem comentários:
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O MEU CHAPÉU-GAIOLA

Hoje o dia está cinzento, chuvoso, triste. Ponho o meu chapéu-gaiola e saio à conquista da cidade. Começarei por conquistar algumas lojas entre as quais um "hermoso" supermercado para abastecer a minha caverna durante uma semana. O chapéu faz-me flutuar entre a prateleira das conservas, o talho e a mercearia e um lugar algures do outro lado da Terra onde o sol brilha, as areias são douradas e a brisa suave.

Publicada por Maria Cabral à(s) 02:37 Sem comentários:
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NOVÍSSIMA CARTILHA ILUSTRADA

Hoje, dei umas boas gargalhadas a ler a "Novíssima Cartilha Ilustrada", de Pedro Monteiro e de Rodrigo Monteiro, uma sátira à "Cartilha Escolar (Ler, Escrever e Contar), de Domingos Cerqueira, publicada em 1912, ou talvez um pouco antes.

Seguindo o método de aprendizagem da leitura e da escrita designado analítico-sintético, esta é uma das cartilhas adoptadas então para os alunos da 1ª classe. O conceito de livro único ainda não existia. Vai chegar no tempo de Salazar com o célebre "Livro da Primeira Classe". No período da República havia pois várias cartilhas e todas enfermavam dos aspetos ridículos que Pedro e Rodrigo Monteiro satirizam de uma forma excelente. 

Como hoje é o dia em que se celebra a implantação da República, queria apenas lembrar que, apesar dos aspetos realmente absurdos destes livros, foi feito, neste período, um esforço notável de construção de escolas e de alfabetização de um país praticamente constituído por analfabetos. Este esforço foi depois continuado no período salazarista com uma mais bem montada estratégia de separação de classes e de formação de um grupo de trabalhadores submissos e disciplinados. 

"O Livro da Primeira Classe", publicado em 1941 (apesar de haver tanta gente, incluindo o próprio Ministério da Educação que ignora a data exata dessa publicação) é um exemplo de um livro que serve de uma forma certeira e despudorada um objetivo. Até as maravilhosas ilustrações de Raquel Roque Gameiro, a quem presto a minha homenagem, contribuem de uma forma edicaz para jamais o esquecermos. Aprendi por esse livro, o que me fica na memória são essas imagens belíssimas e alguns poemas ingénuos. Só muito mais tarde me apercebi do conteúdo ideológico do livro. E isso talvez se deva ao facto de as pessoas viverem de tal modo imersas na visão social do próprio livro que ficavam indiferentes ao seu conteúdo. Eu andava num colégio de freirinhas que nos levavam a desfiles e paradas. Içava a bandeira nacional, vestida com a farda da mocidade portuguesa, no dia 1 de dezembro, porque era loirinha e bonita e isso condizia melhor com o aparato do momento. Mas, questões de feitio, nada daquilo me tocava, nem as missas, nem as paradas, nem os hinos. Ficava tudo à flor da pele. Então, ainda não existia uma técnica de marketing que é a do efeito surpresa.




Publicada por Maria Cabral à(s) 02:36 Sem comentários:
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