quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

LIMPEZA DOMÉSTICA. BUEIROS, ETC.

A limpeza doméstica, ou seja, a limpeza do domus, a casa-lar onde moramos foi evoluindo como todas as coisas com o rolar dos anos. Não vou recuar às calendas gregas, mas apenas a meados do séc. XX, ou melhor a uma época em que os aspiradores e enceradoras eram um artigo de supremo luxo na cidade e nas aldeias portuguesas.

Nessa longa época, porque temos de recuar no tempo e não avançar, as casas eram limpas à mão. A vassoura utilizada diariamente não era suficiente para ir à raiz do problema. Isto quer dizer que a limpeza do soalho, normalmente em tábua de madeira, requeria uma intervenção com uma escova, água e sabão amarelo. O soalho era esfregado uma ou duas vezes por mês, por trimestre ou por ano, dependendo do número de pessoas que habitavam o domus.

Era uma intervenção verdadeiramente artesanal em que uma mulher de joelhos ia lavando pedaço a pedaço salas e quartos, cozinhas e quartos de banho. Havia pessoal feminino especializado neste exercício demorado e minucioso. Depois de seco o soalho era encerado. Trabalho manual idêntico ao anterior, mas de menor esforço.

E por falar em esforço… esta tarefa era mesmo árdua, porque requeria força e resistência para deixar a cheirar a lavado uma habitação pequena, média ou grande. Os saudosos dessas épocas de limpeza absoluta e de cheiro a lavado nunca fizeram este trabalho. Eu também não, mas não o quero fazer e espero que esses tempos não regressem, porque apesar da “suma limpeza” era um trabalho de escravidão.

No mesmo comprimento de onda, lembrei-me do filme de Tati, “O Meu Tio” e do varredor de rua que empurra as folhas do chão com uma enorme vassoura. Vai parando para duas de conversa e na poética abordagem do filme representa uma inércia associada a uma vida com menos aceleração do que aquela do mundo atual.

Às vezes ouço pessoas a queixar-se do ruído que fazem as máquinas que limpam as ruas superpovoadas das folhas e do lixo que um acréscimo de população e de arborização (APLAUDO) provocaram nos nossos burgos. É certo que as vassouras continuam em acção, mas que seria das nossas ruas sem esse ruído matinal? Como se desentupiriam os “bueiros” (sarjetas) sem este ruído? Com um arame e algum exercício físico?

Enfim como diziam os que povoaram essa época menos tecnológica do que a nossa: “Não podemos ter sol na eira e chuva no nabal” (até porque a chuva entope os bueiros)

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