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quinta-feira, 22 de novembro de 2018

O DÂMASO



Eu não conheço o Bruno de Carvalho e serei talvez a mais ignorante dos Portugueses nesta matéria, mas jamais associaria o Dâmaso Salcede a este homem.

Parece-me que este BC (perdoem-me se erro) tem caraterísticas muito próprias de uma época em que o futebol domina o coração da pátria. E isso não pôde o nosso Eça de Queirós presenciar.

Quanto ao Dâmaso, trata-se de um tipo que jamais saiu da galeria dos tipos nacionais. Provinciano e tacanho, novo-rico com pretensões a fidalguia e até a intelectual.

Abundam os Dâmasos por esse Portugal, dignos, hipócritas, convencidos, pedantes e arrogantes. São tantos que realmente não é preciso compará-lo com o tal BC. Se há uma caraterística verdadeiramente nacional é o provincianismo.

Contudo os Dâmasos Salcedes jamais se reconhecem na referida personagem.
Publicada por Maria Cabral à(s) 03:18 1 comentário:
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quinta-feira, 15 de novembro de 2018

A GLOBALIZAÇÃO E AS DUAS METADES DO MUNDO


A globalização encurtou as distâncias, esbateu costumes e tradições milenares, tornou-nos a todos um pouco semelhantes, etc., etc. Antes de pôr o ponto final que o etc. me exigia, hesitei. É que eu queria pôr um ponto de interrogação. Porquê? Os atentados de Paris fizeram estremecer o coração do mundo? Sim. Pelo menos de uma das metades do mundo: o mundo ocidental, o civilizado. Mas no mesmo dia, em Beirute, aconteceram atentados bombistas. Tomei conhecimento deles através da imprensa da outra metade do mundo: o mundo oriental (civilizado só em certos sítios).
"Two suicide bombings in a predominantly Shia residential area of southern Beirut have killed at least 41 people and injured 200 others, according to the Lebanese health ministry.
The explosions took place on Thursday in the Burj el-Barajneh area, located off a main highway leading to Beirut's airport."
Li depois outros artigos publicados em jornais do outro lado do mundo que se queixavam de que os mortos em ataques bombistas no Médio Oriente eram catalogados como itens de uma lista estatística, enquanto os mortos de Paris eram chorados, pela imprensa mundial. Como se uns tivessem alma e os outros fossem números.
Depois pensei que realmente a globalização apagou muita coisa boa, e talvez algumas más, mas não apagou as diferenças entre as duas metades do mundo (se imaginarmos um corte no sentido vertical) como nunca apagou as diferenças entre as outras duas metades a meridional e a setentrional (se imaginarmos um corte no sentido horizontal). Ou se quisermos resumir isto de uma forma muito simples: entre os países endinheirados e os modestos ou famintos. Quantas velas teríamos de colocar no chão pelas mortes, violações e torturas dos povos desse continente sacrificado que é a África? A raiva que cresce neste mundo globalizado vai um dia levar-nos a descobrir, de uma forma desagradável, que afinal todos somos um só. Todos somos a Terra.
Quer isto dizer que eu acho que os mortos de Paris não deviam ser chorados? De modo algum. Eles e todos aqueles a quem o terror sem rosto mutila ou mata deviam ser mais do que lamentados. Deviam ser motivo para gritarmos de indignação e lutarmos para que estes acontecimentos tenebrosos não tivessem lugar nunca mais no planeta azul que é a Terra.
Allô, extraterrestres, pede-se auxílio.
Publicada por Maria Cabral à(s) 02:09 Sem comentários:
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sábado, 27 de outubro de 2018

O REGRESSO DO DOUTOR OX


Não sei se tiveram oportunidade de ler este conto de Júlio Verne que dava nome a um livro onde se podiam ler mais dois os três contos (já não me lembro) do mesmo autor. Posso deixar aos meus escassos leitores a curiosidade de fazerem essa leitura quando tiverem oportunidade.
As "profecias" de Júlio Verne têm vindo gradualmente a concretizar-se. A do conto que refiro também parece ir pelo mesmo caminho. O mundo atual comporta-se como se um ou vários doutores OX estivessem a lançar para a atmosfera gases que enlouquecem as pessoas. Serão os famosos "chem trails" ou, à portuguesa, "os rastos químicos deixados por aviões?
Nenhum de nós receava o regresso do doutor Ox porque a Humanidade já sofreu tanto com guerras e pilhagens que todos pensávamos que os homens tinham aprendido.
Não, não aprenderam. Porra, que eu tanto queria deixar um mundo limpo e seguro para os meus netos, bisnetos e por aí fora viverem!! Mas receio que não.
Publicada por Maria Cabral à(s) 01:22 Sem comentários:
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sexta-feira, 26 de outubro de 2018

O EFEITO CARBONARO E AS ELEIÇÕES BRASILEIRAS


Nunca ouviu falar deste fenómeno, caro leitor? Pois fique sabendo que é o fenómeno do momento. Todos os dias, por volta das 20 horas, na SIC Radical.
Trata-se de um programa tipo Apanhados (calma, leia até ao fim), com uma mistura de ilusionismo, apresentado pelo jovem Michael Carbonaro. Fascinante!
Fascinante pelos truques mirabolantes com que o Carbonaro ilude os clientes (passa-se numa qualquer loja: de brinquedos, de roupa, de sapatos, drogaria, etc.) mas ultrafascinante pelo discurso científico que o jovem usa para convencer o atónito e perdido espectador, apanhado no seu truque. O iludido fica perplexo entre a dúvida e a aceitação final de fenómenos totalmente impossíveis, explicados por um discurso em que os termos técnicos são abundantes e parecem autênticos.
Dir-me-á que se trata de pessoas iletradas, (e são realmente a fatia predominante) pessoas do dia a dia, empregados que receiam ser despedidos, o americano que tem mesmo carinha de apoiar a NRA, a dona de casa, mas também a professora, a psicóloga, em suma, aqueles somos nós.
E o que torna FASCINANTE este programa é ver a facilidade com que NÓS somos convencidos, face a um discurso pretensamente erudito, pretensamente científico ou pretensamente ético.
Esse é o discurso que lemos (espero que ler seja o termo adequado) sem qualquer espírito crítico na Internet, nos jornais, nas revistas. Esse é o discurso que leva tantos "intelectuais" a publicarem textos do tipo "santinhos" e atribui-los a escritores que nunca poderiam ter escrito aquilo. As pessoas que os publicam estão convencidas dessa e doutras verdades e os que os lêem ainda mais porque trazem certificado de garantia.
Esse é o discurso mais fácil para o ouvinte porque é rápido e não exige esforço, nem precisa de contraditadório.
Inclui a facilidade e o facilitismo com que tudo se resolve e que, em meia dúzia de frases pomposas, põe na ordem os desordeiros, castiga os maus, abençoa os bons, refaz o mundo e o torna perfeito.
Dele faz parte a frase "os políticos são todos iguais", sempre dita com um tom de quem atingiu a verdade plena, a irrefutável realidade, a frase que apela, com um sucesso imenso, à inércia, ao absentismo, ao egoísmo, ao "quero lá saber", que dá jeito sempre às formas mais torpes de governação.
Espantado com os resultados das eleições brasileiras? Não esteja. Infelizmente também nós contribuimos para essa desgraça, desde os tempos colonialistas, em que o Imperador imperava, e o saloio das berças portuguesas se tornava no senhor de muitas terras e escravos, até aos dias de hoje em que a emigração brasileira, em Portugal, apresenta um nível de ignorância atroz, que achamos muito interessante, porque nos dá jeito.
Os ricaços que vêm visitar a Europa, gozar dos seus milhões, comprar uma casa por bom preço e cuja indiferença pelos outros, bem como a ignorância literária, científica, artística é gritante votaram Bolsonaro porque só ele lhes garante o número de criados, de babás, de motoristas e de milhões a que estão há muito habituados. Os infelizes que vêm à procura de melhor vida, ganhar uns carcanhois votaram por Bolsonaro porque trazem o peso dos séculos de obscurantismo e de medo sobre as suas cabeças. Os traficantes e negociantes de visão imediata e indiferença total pela vida dos outros votaram bolsonaro porque nele se reencontram. Os que vêm à procura de um canudo, que se consegue com umas trocas de favores votaram bolsonaro no regresso à pátria porque já estão servidos.
Os brasileiros são todos assim? Não! Não são. Têm gente pensante, uma massa crítica que luta desatinadamente para que a má sorte não se abata sobre eles. A essas mulheres e homens de boa vontade, eu desejo de todo o coração que a sua luta seja recompensada na votação final, e que depois continuem a lutar para trazer o Brasil até ao que de melhor existe no séc. XXI (pouca coisa, mas de muita qualidade). Um abraço, irmãos.
Publicada por Maria Cabral à(s) 02:45 Sem comentários:
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TUDO É ABSOLUTAMENTE RELATIVO


"Um teatro, uma literatura, uma expressão artística que não fale do seu próprio tempo não tem relevância."
 Dario Fo


Às vezes penso que tudo fala do "seu próprio tempo", nem que seja através da mediocridade ou através da banalidade da obra.
Todos nos situamos numa determinada camada da sociedade de uma época e aquilo que produzimos espelha mais ou menos bem uma vivência. O que pode é exprimi-la com acutilância ou sem qualquer força ou interesse.
Mas essa acutilância tem de ser reconhecida pelos que observam a obra e há muitas formas de promover e muitas formas de ignorar.
Só realmente alguns conseguem atingir o alvo com tal impacto que permanecem.
Contudo, muitos vivem uma vida de sucesso, assente na mediocridade. Morra o Dantas! Pim!
Outros vivem na obscuridade apesar do brilho do que produzem. Talvez venham a ser descobertos mais tarde, ou não. Não é verdade, ó Vincent?




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Publicada por Maria Cabral à(s) 02:43 Sem comentários:
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O FEÍSSIMO E RiDÍCULO EUCALIPTO


No séc, XIX já se plantavam eucaliptos, em Portugal. Originária da Austrália, esta árvore, ao contrário do que afirma Zé Fernandes em "A Cidade e as Serras" pode ser de uma extraordinária beleza, passados muitos anos, quando envelhece e o seu tronco ganha uma largura considerável. De combustão muito fácil, atualmente é usada sobretudo para produzir pasta de celulose, usada no fabrico de papel, carvão vegetal e madeira.
O objetivo do plantação do eucalipto é hoje em dia puramente comercial. Pode, na minha opinião, ser plantado em locais muito vigiados pelos plantadores, como é óbvio, e por toda a comunidade. Creio que existem exemplos desses no norte do país.
A floresta deve ser constituída por uma grande diversidade de plantas. Mas não sou especialista no assunto e creio que teremos oportunidade de ouvir os especialistas sobre a matéria.
Uma coisa é certa nada impedirá que tudo arda em períodos de extrema secura e ventos fortes, se houver alguém que pegue fogo por acidente ou de propósito.
Vejam o que aconteceu nas zonas de Sonoma County e Napa County na Califórnia, este ano. Morreram 40 pessoas para já, porque ainda estão algumas desaparecidas, uma cidade destruída (Santa Rosa) e 100.000 pessoas evacuadas, mais de 5000 casas e empresas (a maioria hotéis, spas e restaurantes) arderam. Trata-se de uma zona altamente turística cheia de vinhedos. A árvore predominante é o carvalho.
Publicada por Maria Cabral à(s) 02:40 Sem comentários:
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O MEU CHAPÉU-GAIOLA

Hoje o dia está cinzento, chuvoso, triste. Ponho o meu chapéu-gaiola e saio à conquista da cidade. Começarei por conquistar algumas lojas entre as quais um "hermoso" supermercado para abastecer a minha caverna durante uma semana. O chapéu faz-me flutuar entre a prateleira das conservas, o talho e a mercearia e um lugar algures do outro lado da Terra onde o sol brilha, as areias são douradas e a brisa suave.

Publicada por Maria Cabral à(s) 02:37 Sem comentários:
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NOVÍSSIMA CARTILHA ILUSTRADA

Hoje, dei umas boas gargalhadas a ler a "Novíssima Cartilha Ilustrada", de Pedro Monteiro e de Rodrigo Monteiro, uma sátira à "Cartilha Escolar (Ler, Escrever e Contar), de Domingos Cerqueira, publicada em 1912, ou talvez um pouco antes.

Seguindo o método de aprendizagem da leitura e da escrita designado analítico-sintético, esta é uma das cartilhas adoptadas então para os alunos da 1ª classe. O conceito de livro único ainda não existia. Vai chegar no tempo de Salazar com o célebre "Livro da Primeira Classe". No período da República havia pois várias cartilhas e todas enfermavam dos aspetos ridículos que Pedro e Rodrigo Monteiro satirizam de uma forma excelente. 

Como hoje é o dia em que se celebra a implantação da República, queria apenas lembrar que, apesar dos aspetos realmente absurdos destes livros, foi feito, neste período, um esforço notável de construção de escolas e de alfabetização de um país praticamente constituído por analfabetos. Este esforço foi depois continuado no período salazarista com uma mais bem montada estratégia de separação de classes e de formação de um grupo de trabalhadores submissos e disciplinados. 

"O Livro da Primeira Classe", publicado em 1941 (apesar de haver tanta gente, incluindo o próprio Ministério da Educação que ignora a data exata dessa publicação) é um exemplo de um livro que serve de uma forma certeira e despudorada um objetivo. Até as maravilhosas ilustrações de Raquel Roque Gameiro, a quem presto a minha homenagem, contribuem de uma forma edicaz para jamais o esquecermos. Aprendi por esse livro, o que me fica na memória são essas imagens belíssimas e alguns poemas ingénuos. Só muito mais tarde me apercebi do conteúdo ideológico do livro. E isso talvez se deva ao facto de as pessoas viverem de tal modo imersas na visão social do próprio livro que ficavam indiferentes ao seu conteúdo. Eu andava num colégio de freirinhas que nos levavam a desfiles e paradas. Içava a bandeira nacional, vestida com a farda da mocidade portuguesa, no dia 1 de dezembro, porque era loirinha e bonita e isso condizia melhor com o aparato do momento. Mas, questões de feitio, nada daquilo me tocava, nem as missas, nem as paradas, nem os hinos. Ficava tudo à flor da pele. Então, ainda não existia uma técnica de marketing que é a do efeito surpresa.




Publicada por Maria Cabral à(s) 02:36 Sem comentários:
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quarta-feira, 29 de agosto de 2018

VOLTAR AO MESMO ASSUNTO

Recupero aqui um dos textos que escrevi a propósito dos livros azuis para meninos e cor de rosa para meninas.

Imaginem só que não vi o Governo Sombra (porque não estava em Lisboa e ainda que estivesse não teria visto) onde o papa Ricardo A. P. se pronunciou sobre os tais livros, fazendo chacota daqueles que se insurgiram contra eles e afirmando que a Ana Valente a a Rita Duque tinham sofrido um processo de linchamento na internet.

Na...... na...... Ricardinho, NÃO SOFRERAM.

Estas senhoras trabalham para uma editora que lhes encomenda uma tarefa, e a editora diz sempre a sua opinião. "É isto que queremos. Não, não é isto que queremos". Os fazedores de um livro de ensino, ilustradores e escritores, só publicam o que a editora aprova e não aquilo que querem.
MAIS, muitas vezes têm de alterar aquilo que desenharam ou escreveram para agradar à editora na pessoa dos seus diferentes coordenadores editoriais.

Estas senhoras só poderão ser linchadas porque o RAP afirmou tal coisa para os seus ouvintes — ignorantes e não ignorantes.

Quem estava em causa era a editora e não a Ana e a Rita que produziram o trabalho que lhes foi pedido.

Em nome do que sofrem as ilustradoras e os escritores para agradar tantas vezes a pessoas míopes eu venho aqui realçar que elas não têm qualquer responsabilidade no assunto, mesmo que o RAP quisesse fazer o favor de limpar a Porto Editora.

Os livros eram do ano passado? Excelente. Estamos a ficar mais críticos e não comemos toda a M que nos impingem.
Publicada por Maria Cabral à(s) 01:45 Sem comentários:
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terça-feira, 28 de agosto de 2018

UMA FORMA SIMPLES DE DIZER AS COISAS


Conheço uma senhora que vê anjos nas nuvens, cruzes no céu, e por aí fora. Nunca a contrario. Estas são situações sem remédio.
Toda a gente entende o que é lutar pela igualdade de género e os resultados positivos dessa luta. Os que fingem não perceber isso ou não percebem mesmo são como a senhora que vê cruzes no céu e anjos nas nuvens.
Nem no tempo do estado novo se faziam livros escolares ou para-escolares diferenciados. O Livro da Primeira Classe, ilustrada por Raquel Roque Gameiro de uma forma magnífica, tinha nas guias das capas meninas fazendo trabalhos domésticos, nas guias da contracapa, rapazes pescando, pintando, etc. O livro era o mesmo para rapazes e raparigas, embora a dicotomia das profissões e funções na vida dos rapazes e das raparigas estivesse expresso em todo o livro.
Fazer livros cor de rosa e azuis para efeitos para-escolares, com atividades simplistas para raparigas e mais complexas para rapazes é medieval, mas ACIMA DE TUDO é um golpe publicitário e uma forma de ganhar dinheiro à custa da ignorância atávica de um povo saudosista, embiocado, paralisado nas ideias, plantado num canto da Europa.
Neste jardim medievo despontam contudo grandes homens e mulheres inovadores e criativos. A esses peço desculpa por este comentário.
Publicada por Maria Cabral à(s) 02:15 Sem comentários:
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domingo, 5 de agosto de 2018

PARA QUEM É BACALHAU BASTA

Dê uma vista de olhos para ver o que a BBC recomenda como pratos que é obrigatório experimentar quando se vem a Lisboa.

Depois desta leitura, pergunto-me se eu serei muito exigente, pois não comeria a maioria dos pratos recomendados.
Começo pela alheira. Comer uma boa alheira é fantástico, mas sou incapaz de comer tal acepipe num qualquer restaurante, com batatas fritas e ovo estrelado. Não tem nada a ver com o verdadeiro prato português.
Sande de carne assada. Dizem eles que é difícil não encontrar uma que não seja boa. Eu digo exatamente o contrário.
E por aí vamos. Na minha opinião uma das coisas, entre outras, que o turismo nos trouxe foi o abandalhamento da comida portuguesa. Em restaurantes caros ou caríssimos não sei. Nos comuns, céus! uma desgraça.

Estive no Porto há pouco tempo. Comia-se tão bem e tão barato no Porto! Não era difícil encontrar uma "tasca" com qualidade. Agora, nos locais que a minha bolsa me permite frequentar come-se muito mais caro e a comida é muito fraca.

Por isso, bem-hajas, BBC! Os ingleses nunca foram gourmets, e pelos vistos, para quem é bacalhau basta. E o bacalhau cozido continua a ser o prato mais fiel, ou não seja ele, o fiel amigo.

https://www.bbcgoodfood.com/howto/guide/top-10-things-eat-lisbon
Publicada por Maria Cabral à(s) 03:09 Sem comentários:
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segunda-feira, 30 de julho de 2018

VEMOS, OUVIMOS E LEMOS ... O NOSSO TEMPO É PECADO ORGANIZADO

Algo está podre no reino de Portugal e noutros reinos do mundo quando o poema "Cantata de Paz" de Sophia de Mello não passa de uma canção cantada pelo Francisco Fanhais.

Afirmações deste calibre quando divulgadas por pessoas com "alguma credibilidade" fazem perder a noção de autoria, aspeto em que a Internet é prolífera. Neste espaço, muitos se apossam daquilo que não lhes pertence. Neste espaço muitos acrescentam obra a autores que desconhecem.

São exemplo desta segunda afirmação, os poemas e textos atribuídos a Clarice Lispector, Fernando Pessoa e seus heterónimos, Goethe, Karl Marx, etc., etc., etc. E pior! Nunca são textos que tenham alguma coisa a ver com o estilo e/ou temática dos autores. Não os dignificam, pelo contrário.

São exemplo da primeira afirmação, não apenas a pilhagem desbragada daquilo que os outros escreveram, mas também a identificação da autoria de um poema pelo seu cantante, sobretudo quando esse cantante tem algum pedigree. Note-se que o cantante não tem qualquer responsabilidade no sucedido.

Já imaginaram este diálogo:
— "Então não se diz: "Eu quero amar, amar perdidamente..."?
— "Ah pois, isso é uma canção do Luís Represas."

CANTATA DE PAZ

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar

Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror

A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças

D`África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados

Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.

Sophia de Mello Breyner Andresen

Publicada por Maria Cabral à(s) 03:43 Sem comentários:
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domingo, 29 de julho de 2018

O PORTUGUÊS É INVEJOSO, JÁ DIZIA ESTRABÃO

"O português é romântico", assim canta o humorista. "O português é poeta", uma afirmação muito comum. "O português é pacóvio, embiocado e invejoso", assim digo eu.
O português imagina ou finge imaginar que é impossível que alguém de esquerda, nomeadamente do PCP, do BE e, se lhe der jeito, do PS, possa vestir um fato Armani, usar um perfume da Boss, ter um Maserati, viver numa casa com piscina, e por aí vamos.
Para o português, pessoas de esquerda deviam andar mal vestidas, de preferência com sapatos muito usados ou mesmo rotos, não usar qualquer perfume, andarem a pé ou de burro, morarem numa casa humilde (numa casa portuguesa), darem a sua herança de família aos pobres e comerem sopa de urtigas.
Vem isto a propósito do "escândalo" ridículo, bué de ridículo, do vereador do BE que comprou "in diebus illis" um prédio por pouco dinheiro em Alfama. Ora agora o prédio vale muito mais e aí é que está o "busílis" da questão.
"Bolas, que podia ter sido eu a comprar aquele prédio!", pensam eles e ficam roxos de inveja. "Vamos já tratar do assunto e fazer o gajo passar um mau bocado".
Com tanta a gente praí a roubar e a falcratuar, estão preocupadíssimos com o prédio do vereador, que o homem comprou e que, por acaso, até foi um bom negócio. "Ah, pois, mas ele sabia." Ó meus amigos, sabia ele e sabias tu, sabia eu e sabíeis vós. Não o comprei, tenho pena. Alguém o comprou, bom proveito.
PS. Não sou simpatizante do BE, mas não é preciso. Só é preciso viver em 2018, em Lisboa, ter dois dedos de testa (e não ser invejoso).
Publicada por Maria Cabral à(s) 13:15 Sem comentários:
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quinta-feira, 10 de maio de 2018

A IMPORTÂNCIA DOS P, DOS C E DE OUTROS QUEJANDOS

Alguma vez eu havia de estar em total desacordo com o Pacheco Pereira. Faltam-lhe filhos pequenos ou netos e sobra-lhe dinheiro para renovar a sua biblioteca e apoiar as editoras escolares, as únicas que fazem dinheiro a sério no nosso País.

A ausência de gosto pela leitura (de que ele fala) não acontece por causa do novo acordo ortográfico, não. Mas, entre outros fatores, porque ninguém olha para os programas de Língua Portuguesa feitos expressamente para afugentar qualquer amor pela língua e para favorecer os mais afortunados culturalmente, que têm uma mãe ou uma avó, um pai ou um avô ou toda a família a darem-hes livros, a conversarem sobre o que eles leram, a explicarem-lhes as palavras que não compreendem, a inseri-los em épocas e contextos culturais diversos dos atuais, a levá-los ao teatro, a verem exposições e criarem-lhes situações de escrita, em suma, a romperem-lhes os horizontes culturais.

As crianças oriundas de um meio pobre culturalmente estão privadas de qualquer contacto com a beleza da língua, com as histórias fantásticas que os nossos escritores e os de outros países escreveram, da oportunidade de ganharem o gosto por qualquer tipo de escrita, ou simplesmente de aprenderem, numa perspetiva puramente pragmática, a fazer um relatório, uma carta de apresentação, um currículo, uma reclamação, etc. Porque, meu caro PP, é na escolaridade obrigatória que se lê o que jamais se lerá, que se ouve falar de escritores de que jamais se ouvirá falar, que se ouvem e lêem as histórias tradicionais, não apenas as chatas mas muitas, que se aprende a escrever não como o Camões mas como um cidadão português. E para aprender a escrever é preciso que os professores ensinem e saibam ensinar esta "competência" e não ignorem durante anos seguidos a atividade da escrita, para exigirem nas fichas de avaliação um texto argumentativo, narrativo, dramático, etc, que nunca trabalharam na aula porque não têm tempo e dá muito trabalho. Se dá. Dá mesmo...

Mas se toda a nossa atenção se concentra nos tais P e C que saíram das palavras e que as crianças já não conhecem porque aprenderam a ortografia de uma forma ligeiramente diferente da que o meu amigo usa, então realmente a língua portuguesa ficará mais pobre, porque eles aprenderão a grafar essas consoantes com mais um grande esforço, e continuarão a encornar uma nomenclatura hermética, pesada, disparatada para sairem da escola uns perfeitos analfabetos. (Ver com atenção a nova nomenclatura gramatical) Dá-me uma grande fúria esta situação.
Publicada por Maria Cabral à(s) 04:23 Sem comentários:
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FARTA DOS INTELECTUAIS E DOS IGNORANTES, QUE ÀS VEZES SÃO MUITO PARECIDOS


Depois de ler muitos comentários e artigos sobre os defeitos dos países do Médio e do Extremo Oriente sinto-me a modos que prò enojada.
Gritam os eruditos, os sábios e muita outra gente menos erudita e menos sábia sobre o medo e o espartilho dos povos coreano, chinês (dos japoneses que, infelizmente tiveram de estar mais ao lado dos americanos, pouco se diz) como se todos os povos tivessem a mesma ancestralidade e todos tivesse de ser medidos pela nossa bitola.
Do Médio Oriente é a história das famílias dinásticas e das ditaduras. Mas mesmo aqui há dois pesos e duas medidas. Lá vão os excelsos comentadores atrás da influència americana. E toca a medir os costumes e tradições desses povos pela medida ocidental, sobretudo daqueles que a opinião americana condena.
Ó não são iguais a nós! Nós, os ocidentais, os que não têm medo, os livres, os que não têm famílias dinásticas, enfim, como rodos sabemos o exemplo dos valores mais puros da Terra.
Depois queixam-se que a globalização pôs os países todos iguais. Depois queixam-se que está tudo americanizado. Depois queixam-se da colonização e eu queixo-me também da opinião vista à luz dos valores ocidentais onde tudo ´o que é diferente é censurável, exceto, está claro, a culinária. Para encher as panças dos ocidentais que têm de ser bem tratados, à medida da sua grandeza civilizacional.
Publicada por Maria Cabral à(s) 04:17 Sem comentários:
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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

ESTOU ESPANTADA (texto escrito há três anos)


"Os alunos do 2.º ano de escolaridade têm dificuldades em interpretar um texto, escrever de forma coerente e sem erros ortográficos, não compreendem o conceito de igualdade na matemática e têm dificuldades em contar dinheiro, revela um relatório."
Como é possível semelhante prova de ignorância? Quando eu tinha 6/7 anos lia Camões, Shakespeare, Platão, Aristóteles, comentava os textos sagrados e, em termos matemáticos, os trabalhos de Dubinsky, Sfard, Tall e Vinner que permitem uma caracterização mais profunda das noções de conceito definição e conceito imagem, que se tornam conceitos chave para a compreensão dos conceitos
matemáticos.
Agora grassa a ignorância, e o senhor ministro da educação, Nuno Crato, que tem tentado fazer dos alunos vagões de mercadorias não consegue que as crianças de seis ou sete anos escrevam sem erros, interpretem os textos com a limpidez luminosa de um Santo Agostinho e, miséria das misérias, não dominam o conceito matemático de igualdade num mundo em que a desigualdade é cada vez maior.
Sugestão: aumentar ainda mais os conteúdos curriculares, torná-los mais complexos, instituir de novo a palmatória e os castigos corporais, porque os resultados serão garantidos e teremos uma geração de génios em ascensão. Além disso ser criança tem limites. E aos seis ou sete anos estamos perante pequenos adultos disfarçados de crianças, que já tiveram uma longa oportunidade de gozar a vida e acreditar em sonhos. Vamos a isso, pela rentabilidade, pela necessidade de criar escravos dos senhores que podem escrever com erros, não ter nunca aberto um livro, não compreenderem o conceito de igualdade, mas que sabem contar dinheiro!
PS. Já agora na televisão podem exibir-se erros ortográficos, escrever frases sem sentido, não respeitar a pontuação? E nas legendas dos filmes também?
Pois, aí não tem importância, porque os espectadores estão distraídos com as imagens e a verem se compreendem o tal conceito de igualdade.
Gosto
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Publicada por Maria Cabral à(s) 12:40 Sem comentários:
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Maria Cabral
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Maria Alzira Cabral. Tema Janela desenhada. Com tecnologia do Blogger.