A lenda é precisa, faz-nos falta, alimenta-nos e alimenta o negócio e o turismo. Uma lenda para cada espaço que nos permita sonhar e viajar no tempo.
quinta-feira, 17 de abril de 2025
EU SOU A LENDA
quinta-feira, 20 de março de 2025
PAZ
A minha oliveira já foi bonsai. Um dia, libertei-a dos arames que lhe tolhiam as raízes e ela começou a crescer. Este ano tem muitas flores e está cheia de frutos. Vive na minha cozinha e qualquer dia não cabe lá. É a minha herança de paz, porque viverá muitos anos depois de mim, transplantada para um terreno.
segunda-feira, 10 de março de 2025
DO HORROR!
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025
TUDO O QUE IMAGINAMOS COMO LUZ
quinta-feira, 9 de janeiro de 2025
DE SUSKIND AO BICHINHO DA PRATA
Ora, em minha casa, há livros em todas as divisões
e alguns guardados com tal devoção que nem eu me lembro já que naquele especial
lugar coloquei um grupo de livros também ele especial, para reler.
Foi uma tarde longa e extenuante, à procura de "A
história do Senhor Sommer", a pedido do meu neto. Na pista dos livros do
Suskind, porque o senhor Sommer devia estar lá no meio, deitei abaixo estantes
e estantes, limpei cantos e recantos. Toneladas de pó, livros esquecidos,
autores esquecidos.... Tanta coisa para ler. Já não vou ter tempo de ler o que
não li nem reler o que adorei. Pelo caminho, encontrei a Dorothy Parker. Abaixo
publico um excerto de um conto desta escritora que, nalgumas páginas, me lembra
um pouco Virginia Woolf, apenas nalgumas páginas. Fiquei com uma dor nas
costas. Mas o Suskind sumiu.
Ao ver passar, opulentos e refulgindo, tanto bichinho da
prata, percebi o destino do Suskind. Atirei-me a eles e foi uma matança. Mas
ouço rir os sobreviventes. Afinal, eles já cá estavam quando os homens ainda
eram um projeto. E cá vão continuar quando os homens forem apenas memória.
Memória dos bichinhos de prata que entretanto se tornaram uns valentes
sabichões.
Excerto de "A VALSA", de Dorothy Parker,
escritora americana do séc. XX. Este conto tem a duração de uma valsa.![]()
O que pensa a mulher que se vê obrigada a dançar
(protocolo da época) com um homem que detesta. Aqui vão umas migalhas do seu
pensamento.
"................. Quando um homem nos pede que
dancemos com ele, o que se há de dizer? Não vou, primeiro havemos de nos
encontrar no inferno? Ora essa, muito obrigada, gostava imenso, mas estou com
as dores de parto? Oh, sim, dancemos — é tão agradável encontrar um homem que
não se importa de ser contagiado pelo meu tifo?
Não, não podia fazer outra coisa senão dizer: estou
encantada.
Bem, vamos acabar com isto. Pois bem, Cannonball, vamos
por esses campos fora. Ganhaste a partida; és tu quem guia." (…)
UM MODELO DE COMO NÃO SE DEVE FAZER TELEVISÃO
"CAMILLE CLAUDEL", um documentário, que passou na RTP2, sobre a genial escultora.
domingo, 29 de dezembro de 2024
PONTO DE VISTA
Talvez não seja esta a conclusão que eu pretendia. Na verdade, preferia que a perplexidade perante as variadas leituras de determinados acontecimentos levasse as pessoas a uma busca em diferentes fontes de informação, já que observar “in loco” é impossível para quase todos nós e para a maioria senão totalidade dos acontecimentos.
terça-feira, 29 de outubro de 2024
REVISÃO CURRICULAR AVANÇA JÁ NO PRÓXIMO ANO LETIVO
Estando a ler no DN o artigo
com este título, detive-me, em especial, na revisão do currículo de Português,
Língua Materna, embora o artigo do DN dê particular ênfase ao ensino da
História, o que poderá fazer sentido, mas nunca lecionei esta disciplina e
ignoro os seus problemas específicos. É certo que há muitos anos atrás, segui
um aluno do Secundário (então numa escola em que se testavam novos programas) e
fiquei encantada com o que aprendi sobre a forma de olhar os acontecimentos
numa perspetiva sincrónica e global. Neste nível etário e de ensino, a História
(século XX) era então abordada nessa perspetiva, apresentando todos os factos e
situações que ocorriam na Europa e no mundo, num corte transversal que permitia
perceber como se relacionavam entre si.
Sobre o ensino do Português
realço a opinião de Paulo Guinote que transcrevo em parte “(é preciso) ... uma
visão mais prática do ensino da língua mais centrada na escrita criativa. Bem
sei que vou ser acusado de reacionário por muitos académicos especialistas, mas
sendo prático, acho que é preciso voltar ao hábito da “redação temática”, que
organiza o pensamento e promove flexão e criatividade.” Resumindo, ESCREVAM,
PORRA!
Segui o percurso curricular
dos meus netos mais velhos, muitas horas dedicadas a conteúdos gramaticais de
difícil nomenclatura e utilidade nula. E escrever, népia… Até acho que certas
noções gramaticais são absolutamente necessárias, para explicar a falta de
correção de um texto. Os Picassos da escrita nascem de uma aprendizagem leve,
solta e constante.
Também João Pedro Aido,
presidente da Associação do Professores de Português, refere um reforço da
escrita criativa nos ensinos básico e secundário e ainda aponta para “um ensino
da literatura menos académico e tradicional (porque) cristalizar o texto literário
em conteúdos programáticos não leva os alunos a lerem obras nem a fazerem
apreciações críticas pessoais.” Defende ainda “uma maior liberdade de escolha
dos autores a estudar, uma lista maior e mais atualizada…”
Nem imaginam como concordo com
esta liberdade de escolha de autores. Farta de ver crianças e adolescentes
vacinados contra a leitura porque lhes impingem umas obras muito literárias, de
autores nacionais que “temos de respeitar” e as editoras precisam de vender. A
custo, lá foram entrando alguns autores estrangeiros, mas nenhuma preocupação
com aquilo que se escolhe para o aluno ler. Está no programa, catrapuz, vai
comprar. Se lês ou não isso aí já não é importante. É preciso que a editora
venda.
Por favor, arranjem
estratégias e textos que permitam aos alunos descobrir que ler um livro pode
ser uma aventura. Arranjem professores também e sobretudo soltem-se, carago!
quinta-feira, 3 de outubro de 2024
CAMINHOS DA MEMÓRIA
Ontem, fui conhecer a pala do Centro de Arte Moderna.
domingo, 1 de setembro de 2024
A IMPORTÂNCIA DE SE CHAMAR ERNESTO
Não reparo muito em outdoors nem noutras coisas. Nunca seria boa testemunha
para o inspetor Poirot. Ontem, porém, reparei num outdoor com um slogan pleno
de inspiração e percebi a importância de vários aspetos do cenário “parapolítico”
(neologismo) ou o backstage (estrangeirismo) da política.
Eis o slogan: “Com Cotrim, SIM”. Logo
ali a minha inspiração de grande fazedora de campanhas políticas me segredou: “Com
Durão, NÃO”, “Com Inês, TALVEZ”, “Com Rangel papas sem MEL”, “Com Ventura não
se ATURA”, “Com Coelho é só FOLHELHO”, “Com Marcelo nem de CHINELO”, “Com
Cavaco mete pró SACO” e outros slogans de grande fulgor inspiracional.
Mas o slogan que despoletou esta catadupa de talento também me chamou a atenção para a importância do nome de um político. Nunca escolhas LACERDA e outra rimas duvidosas para não acabares num outdoor transformado em anedota para crianças.
terça-feira, 30 de julho de 2024
NOTAS OLÍMPICAS 2024
À noite vejo excertos do que foi o dia olímpico.
1. Não aguento ver a ginástica feminina ou masculina. Então os saltos! E a
trave, meu Deus! Estou sempre à espera que caiam, que atravessem disparados a
sala, que tenha de vir uma equipa de socorristas levantá-los do chão. Não
percebo os décimos que perdem porque uma perna estava 2mm afastada da outra,
porque não ganharam altura, etc. etc. Eu dava uma medalha de ouro a todos.
2. Então procuro outro desporto. Não tenho paciência para ver duas
"atletas" a bater numa bolinha de um lado para o outro de uma mesa,
durante horas. Não tenho paciência para ver as ondas daquele sítio maravilhoso
cujas praias vão desaparecer debaixo de água porque a calota polar está a
derreter e só os picos apetitosamente verdes ficarão a espreitar os nadadores
agarrados a uma prancha.
2. Então salto para a natação. Está calor e é um desporto refrescante, além disso, percebo que o Joaquim chegou primeiro do que o Eustáquio e a Filipa se destacou das outras nadadoras. E ontem vi a Itália a ganhar a sua primeira medalha olímpica com um IMPERADOR ROMANO renascido, um DEUS do Olimpo. Que rapaz mais bonito: o formato do rosto, os olhos azuis grandiosos, o nariz e a boca desenhados com cinzel, os cabelos. De lá de cima dos seus quase dois metros, ele tinha descido do Olimpo, para garantir que estes jogos eram mesmo olímpicos. Era o Antinoos do imperador Adriano, o Apolo dos deuses celestiais. Thomas Ceccon, para mim nem precisavas de nadar. Os deuses do Olimpo ganham sempre medalhas de ouro.
segunda-feira, 15 de julho de 2024
😉CONTRIBUTO PARA O ESTUDO DO PORTUGUESINHO
Se o Português teve origem no latim, o Portuguesinho teve origem no Português, daí poder-se concluir que um é filho e outro neto da língua que se falava em Roma e arredores.
sábado, 15 de junho de 2024
AOS POETAS QUE AINDA SE VESTEM DE POETAS, AOS FILÓSOFOS QUE AINDA SE VESTEM DE FILÓSOFOS, AOS ARTISTAS QUE SE VESTEM DE ARTISTAS, AOS CIENTISTAS LOUCOS QUE SE VESTEM DE CIENTISTAS LOUCOS...
domingo, 25 de fevereiro de 2024
HAJA DEUS
Pego no livro. Na capa, o título, o nome da autora e em destaque - "Obra recomendada pelas metas curriculares de Português para o 4º ano de escolaridade. Plano nacional de leitura."
sexta-feira, 24 de novembro de 2023
O TRIO DOS QUATRO
Não via há muitos anos as notícias nos canais da TV portuguesa, mas ultimamente espreito e sigo caminho. Vejo pouca televisão, em geral para descomprimir um pouco o que é difícil. Leio as notícias de várias fontes noticiosas estrangeiras durante o dia e quando me interessa algum artigo de opinião.
Em tempos, (creio que há seis anos ou mais) seguia o eixo do mal e outro programa do mesmo tipo na TVI cujo nome me não ocorre, mas desisti por não suportar tanta baboseira. Ontem, reincidi, porque liguei exatamente quando o dito eixo estava a começar.Acalmem-se. nem metade vi, mas pasmei com a alegria daqueles “inimputáveis” sobre a crise em que o país está mergulhado e o retrocesso que dela virá. Não merecem qualquer respeito os comentários de chacha do Pedro Marques Lopes que além de patetas não tinham sequer um fio lógico, a alegria exuberante do idolatrado Daniel de Oliveira face a esta crise e ao desmoronar da esquerda (que para ele é direita), e as profecias de calamidade da Clara Ferreira Alves. O único que mostrou alguma preocupação e seriedade nas palavras foi o quarto comentador, o representante da direita cujo nome esqueci. Este quarteto palrador não tem nada a ver com esta crise, passem embora os artigos demolidores do Oliveira contra o António Costa e o governo, as palavras arrasadoras dos outros, e toda a campanha violenta contra este governo que os quatro conduzem há anos. Nós temos responsabilidade porque fomos votar. Eles não, porque com o seu olho desvendador já sabiam o que ia acontecer.
E falam das eleições na Holanda (Credo! Abrenúncio!) com mal-escondido agrado (“Eu bem tinha dito! “Claro, o Ventura vai vencer!” “Nós já sabíamos.”) E esfregam as mãos de contentes, porque o Ventura nunca terá melhores arautos e o emprego deles está garantido. Com estes comentadores sem qualquer formação ou informação a não ser a conversa de café, a extrema-direita está garantida porque bem ou mal ela exprime preocupação com a crise e, embora enganadoras e perigosas, apresenta alternativas e também adora estes patetas de esquerda e de extrema-esquerda que não têm responsabilidade por nada.
terça-feira, 7 de novembro de 2023
SONHAR É FÁCIL - Duas histórias com UN happy end
A senhora mora numa Junta de Freguesia lisboeta, com muito comércio e escritórios, aonde a EMEL ainda não tinha chegado e isso deixava-a desesperada. Caminhava para a Junta de freguesia e fazia um pé de vento, exigindo que a sua reivindicação fosse atendida, moveu céus e terra, convencida que uma vez a EMEL instalada ia ter um lugar de estacionamento privativo.
A EMEL chegou finalmente.
Agora a denodada senhora tem sempre o carro na garagem.
— Nunca tenho lugar. Quando
há um lugar, aparece sempre alguém e eu não posso sair para lado nenhum, só à
noite e mesmo à noite é difícil.
— Ah, pois é. A quem o
diz.
Esta outra rotunda senhora
mais o estimado marido, ambos velhos a cair da tripeça. estavam hoje radiantes.
Na Note do Fonte Nova ofereciam champanhe e marisco a quem quisesse celebrar
com eles a demissão do Governo de António Costa, convencidos que a inflação vai
acabar, os médicos e todo o pessoal de saúde vão ter aumentos supimpas e
horários fantásticos, um fila interminável de empregos vai surgir, os
professores vão subir tantos escalões que correm o risco de pousar numa nuvem,
a ordem vai reinar, os imigrantes não põe cá mais o pé, a TAP vai ser sucesso,
as casas vão ser baratas para quem as alugar, se forem eles os inquilinos, mas
caras se forem os proprietários, os bancos vão distribuir os lucros pelos
clientes, enfim…
— A pouca vergonha vai
acabar!
— Ah, pois vai! A quem o
diz,
sexta-feira, 13 de outubro de 2023
E, NO ENTANTO, AMBOS “FALAM DO SEU PRÓPRIO TEMPO
"Um teatro, uma literatura, uma expressão
artística que não fale do seu próprio tempo não tem relevância." Dario Fo
Quem sou eu para contrariar o teu ímpeto
revolucionário, ó Dario, mas, para mim, tudo fala do "seu próprio
tempo", nem que seja através da mediocridade ou da banalidade. A
literatura de cordel, os textos gongóricos e inflamados do séc. XIX (e não só),
o Dantas, os dantinhas e os dantescos, as telas poeirentas e esquecidas, as
partituras que as traças vão devorando ou já devoraram, o teatro das feiras e
do adro das igrejas, tudo fala da sua época.
Pois tudo que o ser humano produz, e que é ou pretende
ser arte, espelha uma vivência, uma inspiração, um desejo de comunicar, uma
vaidade, ou um pedido de ajuda.
Conhecida ou ignorada, a produção “artística” de uma
época traduz a realidade de uma forma subtil, mordaz, incisiva, ou sem força
ou interesse, mas nela tanta informação sobre uma comunidade, uma cultura, um
lugar, um período no tempo.
O mérito de um legado requer o reconhecimento dos que o
observam, dos que o analisam, promovem ou ignoram. Só alguns conseguem atingir o alvo com tal
impacto que permanecem e cabem na tua frase, Dario.
Mas se muitos alcançam relevância mesmo que assente na
mediocridade, (morra o Dantas! Pim!), outros vivem na obscuridade apesar do
brilho do que produzem. Talvez venham a ser descobertos mais tarde, ou não. Não
é verdade, ó Vincent?
E, no entanto, ambos “falam do seu próprio tempo”, ó
se falam!
quinta-feira, 5 de outubro de 2023
Novíssima Cartilha Ilustrada", uma sátira à "Cartilha Escolar (Ler, Escrever e Contar), de Domingos Cerqueira,(1912).
Uma paródia, de Pedro Monteiro e de Rodrigo Monteiro, ao método designado analítico-sintético, usado nas cartilhas de de aprendizagem da leitura e da escrita adotadas no início do séc. XX para alunos da 1ª classe. O conceito de livro único ainda não existia. Vai chegar no tempo de Salazar com o célebre "Livro da Primeira Classe". No período da República havia pois várias cartilhas e todas enfermavam dos aspetos ridículos que Pedro e Rodrigo Monteiro satirizam de uma forma excelente.
Como hoje é o dia em que se celebra a
implantação da República, queria apenas lembrar que, apesar dos aspetos
realmente absurdos destes livros, foi feito, neste período, um esforço notável
de construção de escolas e de alfabetização de um país praticamente constituído
por analfabetos. Este esforço foi depois continuado no período salazarista com
uma mais bem montada estratégia de separação de classes e de formação de um
grupo de trabalhadores submissos e disciplinados. "O Livro da Primeira
Classe", publicado em 1941 (apesar de haver tanta gente, incluindo o
próprio Ministério da Educação que ignora a data exata dessa publicação) é um
exemplo de um livro que serve de uma forma certeira e despudorada um objetivo.
Até as maravilhosas ilustrações de Raquel Roque Gameiro, a quem presto a minha
homenagem, contribuem de uma forma eficaz para jamais o esquecermos. Mas, na
verdade, e aprendi a ler por esse livro, o que nos fica na memória são essas
imagens belíssimas e alguns poemas ingénuos. Só muito mais tarde me apercebi do
conteúdo ideológico do livro. E isso talvez se deva ao facto de as pessoas
viverem de tal modo imersas na beleza estética do próprio livro que ficavam
indiferentes ao seu conteúdo. Eu andava num colégio de freirinhas que nos
levavam a desfiles e paradas. Içava a bandeira nacional, vestida com a farda da
mocidade portuguesa, no dia 1 de dezembro, porque era loirinha e bonita e isso
condizia melhor com o aparato do momento. Mas, questões de feitio, nada daquilo
me tocava, nem as missas, nem as paradas, nem os hinos. Ficava tudo à flor da
pele.
DE NOVO "PARASITAS" OU A TECNOLOGIA COMO UMA ARMA
quarta-feira, 13 de setembro de 2023
UM MUNDO EXTREMAMENTE COMPLEXO
Ontem assisti a uma grande parte do debate na RTP1 sobre a crise do jornalismo. Só desisti quando se começou a tornar obsessiva na minha mente a imagem de um grupo de aves de grandes e afiados bicos a tentarem com golpes certeiros partir uma pedra, talvez um ónix ou um diamante.
